Commit 8aa96166 authored by Rafael Peretti Pezzi's avatar Rafael Peretti Pezzi

Dom Jan 10 13:40:30 BRST 2016

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## 1. A era da informação e a academia contemporânea ## 1. A era da informação e a academia contemporânea
Diversas abordagens já foram utilizadas para analisar os impactos da tecnologia da informação na sociedade contemporânea. Desde questões epistemológicas como vistas pela perspectiva da Ecologia Cognitiva, conceito cunhado por Pierre Lévy (LÉVY, 1993), até seus impactos na economia, sociedade e cultura como postos por Manuel Castells(CASTELLS, 1999) e Yonchai Benkler(BENKLER, 2006). Essas reflexões contribuem para o esclarecimento da profundidade do impacto das novas tecnologias da informação e comunicação para a humanidade. Diversas abordagens já foram utilizadas para analisar os impactos da tecnologia da informação na sociedade contemporânea. Desde questões epistemológicas como vistas pela perspectiva da Ecologia Cognitiva, conceito cunhado por Pierre Lévy (LÉVY, 1993), até seus impactos na economia, sociedade e cultura como postos por Manuel Castells(CASTELLS, 1999) e Yonchai Benkler (BENKLER, 2006). Essas reflexões contribuem para a compreensão da profundidade do impacto das novas tecnologias da informação e comunicação para a humanidade.
No que se refere à academia, o surgimento de novos referenciais podem ser identificados em dois movimentos complementares, o dos Recursos Educacionais Abertos (SANTANA; ROSSINI; PRETTO, 2013) (REA) e o movimento pela ciência aberta. Sarita Albagli descreve o segundo da seguinte maneira(ALBAGLI, 2015): No que se refere à academia, o surgimento de novos referenciais podem ser identificados em dois movimentos complementares, o dos Recursos Educacionais Abertos (SANTANA; ROSSINI; PRETTO, 2013) (REA) e o movimento pela ciência aberta. Sarita Albagli descreve o segundo da seguinte maneira(ALBAGLI, 2015):
> "O movimento pela ciência aberta deve ser pensado no contexto dos movimentos sociais que emergem em meio a mudanças nas condições de produção e circulação da informação, do conhecimento e da cultura, e que vêm desestabilizando arcabouços epistemológicos e institucionais vigentes. Trata-se de refletir sobre os desafios que essas mudanças trazem às dinâmicas científicas, seus valores e práticas, e sobre os novos olhares que se impõem para melhor compreender e lidar com tais desafios." > "O movimento pela ciência aberta deve ser pensado no contexto dos movimentos sociais que emergem em meio a mudanças nas condições de produção e circulação da informação, do conhecimento e da cultura, e que vêm desestabilizando arcabouços epistemológicos e institucionais vigentes. Trata-se de refletir sobre os desafios que essas mudanças trazem às dinâmicas científicas, seus valores e práticas, e sobre os novos olhares que se impõem para melhor compreender e lidar com tais desafios."
...@@ -9,7 +9,7 @@ A universidade, definida como o "local de domínio e cultivo do saber humano" [^ ...@@ -9,7 +9,7 @@ A universidade, definida como o "local de domínio e cultivo do saber humano" [^
Por mais que a academia se mantenha em posição de destaque pelo monopólio de emissão de diplomas e títulos, a capacidade de atuação profissional dos egressos cada vez mais precisa ser complementada por formação extra-acadêmica, uma vez que a formação tradicional das universidades mantém-se alheia às novas dinâmicas do conhecimento. Se, por um lado, as dinâmicas sociais e econômicas têm respondido aos novos meios de produção e disseminação do conhecimento advindos da tecnologia da informação, por outro, a academia tem se mostrado mais lenta para adaptar-se às inovações nas suas dinâmicas produtivas. Observa-se um *modus operandi* no qual as limitações das ferramentas e métodos do passado são artificialmente impostas às novas, sejam pelas políticas vigentes ou pelos vícios da cultura institucional. Isto é, substituem-se ferramentas para realizar as mesmas tarefas: a máquina de escrever por um editor de texto, o quadro negro por um projetor multimídia, ou a sala de aula tradicional por uma sala de aula virtual, igualmente fechada. Por mais que a academia se mantenha em posição de destaque pelo monopólio de emissão de diplomas e títulos, a capacidade de atuação profissional dos egressos cada vez mais precisa ser complementada por formação extra-acadêmica, uma vez que a formação tradicional das universidades mantém-se alheia às novas dinâmicas do conhecimento. Se, por um lado, as dinâmicas sociais e econômicas têm respondido aos novos meios de produção e disseminação do conhecimento advindos da tecnologia da informação, por outro, a academia tem se mostrado mais lenta para adaptar-se às inovações nas suas dinâmicas produtivas. Observa-se um *modus operandi* no qual as limitações das ferramentas e métodos do passado são artificialmente impostas às novas, sejam pelas políticas vigentes ou pelos vícios da cultura institucional. Isto é, substituem-se ferramentas para realizar as mesmas tarefas: a máquina de escrever por um editor de texto, o quadro negro por um projetor multimídia, ou a sala de aula tradicional por uma sala de aula virtual, igualmente fechada.
A inserção das novas dinâmicas informacionais na universidade não é trival; requer a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias acadêmicas para atualizar a universidade. O Centro de Tecnologia Acadêmica (CTA) do IF/UFRGS foi criado para ser um laboratório de criação e experimentação destas tecnologias e promover a sua disseminação para além da academia, de forma livre e colaborativa. Surge também para integrar os estudantes do curso recentemente criado de Engenharia Física com as atividades de ensino, pesquisa e extensão da universidade [^CTA-boas-vindas]. Atualmente pode ser considerado um centro interdisciplinar com alunos de diversos cursos. A inserção das novas dinâmicas informacionais na universidade não é trival; requer a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias acadêmicas para atualizar a universidade. O Centro de Tecnologia Acadêmica (CTA) do IF/UFRGS foi criado para ser um laboratório de criação e experimentação destas tecnologias e promover a sua disseminação para além da academia de forma livre e colaborativa. Surge também para integrar os estudantes do curso recentemente criado de Engenharia Física com as atividades de ensino, pesquisa e extensão da universidade [^CTA-boas-vindas]. Atualmente, é um centro interdisciplinar com alunos de diversos cursos.
### 1.1 Tecnologias acadêmicas ### 1.1 Tecnologias acadêmicas
...@@ -18,7 +18,7 @@ As tecnologias acadêmicas desenvolvidas pelo CTA podem ser separadas em duas ca ...@@ -18,7 +18,7 @@ As tecnologias acadêmicas desenvolvidas pelo CTA podem ser separadas em duas ca
1. tecnologias meio 1. tecnologias meio
2. tecnologias fim 2. tecnologias fim
As tecnologias meio são as técnicas, métodos e ferramentas utilizadas como meio da academia atingir seus objetivos. São aquelas para gestão acadêmica, comunicação interna e externa, organização de grupos e de comunidades, enfim, têm o objetivo de perpetuar a dinâmica acadêmica, registros e a memória, dando continuidade à cultura institucional. São tecnologias utilizadas para gestão de projetos, publicação de resultados, canais de comunicação interno e com a comunidade externa. Tipicamente podem ser aplicadas com poucos ajustes por todas as áreas acadêmicas. As tecnologias meio são as técnicas, métodos e ferramentas utilizadas como meio da academia atingir seus objetivos. São aquelas para gestão acadêmica e de projetos, publicação de resultados, canais de comunicação interna e externa, organização de grupos e de comunidades, enfim, têm o objetivo de perpetuar a dinâmica acadêmica, registros e a memória, dando continuidade à cultura institucional. Tipicamente podem ser aplicadas com poucos ajustes por todas as áreas acadêmicas.
A categoria das tecnologias fim são os métodos, processos e instrumentos científicos desenvolvidos e utilizados nos laboratórios de pesquisa e laboratórios didáticos de ensino. São tecnologias específicas para cada área do conhecimento. A categoria das tecnologias fim são os métodos, processos e instrumentos científicos desenvolvidos e utilizados nos laboratórios de pesquisa e laboratórios didáticos de ensino. São tecnologias específicas para cada área do conhecimento.
...@@ -26,12 +26,12 @@ O Centro de Tecnologia Acadêmica IF/UFRGS atua em ambas as frentes. As tecnolog ...@@ -26,12 +26,12 @@ O Centro de Tecnologia Acadêmica IF/UFRGS atua em ambas as frentes. As tecnolog
### 1.2 A liberdade e abertura do conhecimento ### 1.2 A liberdade e abertura do conhecimento
A fim de tornar natural o princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão univesitárias e maximizar o potencial de disseminação das tecnologias utilizadas e desenvolvidas pelo CTA, foram tomados como princípios do Centro aqueles presentes nas definições de abertura e liberdade do conhecimento. São modalidades de conhecimento que exploram profundamente as possibilidades advindas das tecnologias digitais. É uma abordagem que estimula a participação colaborativa no empreendimento acadêmico e estimula uma competição que recompense a capacidade de inovação e não o acesso aos meios(ABDO, 2015). Ao mesmo tempo promove a extensão, vista como a interação da universidade com a sociedade, pela remoção de barreiras à disseminação destas tecnologias para além do ambiente acadêmico, podendo atingir o ensino em todos os níveis assim como atividades comerciais, de serviços e industriais, sem discriminação ou favoritismo. Isto ocorre mesmo tempo em que atualiza a prática acadêmica às tendências, aos princípios e preceitos de transparência que são esperados de instituições mantidas com ou que recebem recursos públicos. A fim de tornar natural o princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão univesitárias e maximizar o potencial de disseminação das tecnologias utilizadas e desenvolvidas pelo CTA, foram tomados como princípios do Centro aqueles presentes nas definições de abertura e liberdade do conhecimento. São modalidades de conhecimento que exploram profundamente as possibilidades advindas das tecnologias digitais. É uma abordagem que estimula a participação colaborativa no empreendimento acadêmico e estimula uma competição que recompense a capacidade de inovação e não o acesso aos meios (ABDO, 2015). Ao mesmo tempo promove a extensão, vista como a interação da universidade com a sociedade, pela remoção de barreiras à disseminação destas tecnologias para além do ambiente acadêmico, podendo atingir o ensino em todos os níveis assim como atividades comerciais, de serviços, e industriais, sem discriminação ou favoritismo. Isto ocorre ao mesmo tempo em que adequa a prática acadêmica às tendências, aos princípios e preceitos de transparência que são esperados de instituições científicas e, especialmente, as mantidas com ou que recebem recursos públicos.
Ao lembrar que as tecnologias têm impacto direto na vida cotidiano e no futuro, cabe apontar também que as tecnologias livres se enquadram naturalmente nas propriedades de transferência de tecnologia para adaptação às mudanças climáticas. Segundo o relatório de 2009 elaborado pelo grupo especialista de transferência de tecnologia da Convenção Quadro de Mudanças Climáticas das Nações Unidas[^UNFCCC-2009], a transferência de tecnologias de adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas deve prover ao recipiente a capacidade para: Ao lembrar que as tecnologias têm impacto direto na vida cotidiana e no futuro, cabe apontar também que as tecnologias livres se enquadram naturalmente nas propriedades de transferência de tecnologia para adaptação às mudanças climáticas. Segundo o relatório de 2009 elaborado pelo grupo especialista de transferência de tecnologia da Convenção Quadro de Mudanças Climáticas das Nações Unidas[^UNFCCC-2009], a transferência de tecnologias de adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas deve prover ao recipiente a capacidade para:
* Instalar, operar, manter e reparar as tecnologias * Instalar, operar, manter e reparar as tecnologias;
* Produzir versões de custo reduzido das tecnologias * Produzir versões de custo reduzido das tecnologias;
* Adaptar as tecnologias aos mercados e circunstâncias domésticas; * Adaptar as tecnologias aos mercados e circunstâncias domésticas;
* Desenvolver novas tecnologias. * Desenvolver novas tecnologias.
...@@ -43,7 +43,7 @@ Também foi demonstrado que o surgimento de máquinas de fabricação digital de ...@@ -43,7 +43,7 @@ Também foi demonstrado que o surgimento de máquinas de fabricação digital de
### 1.3 Definições de liberdade e abertura de conhecimento ### 1.3 Definições de liberdade e abertura de conhecimento
São diversas as definições e declarações que foram criadas para se referir à liberdade do conhecimento. É adequado afirmar que a raiz filosófica que embasa os atuais movimentos de cultura livre e abertura do conhecimento remonta ao movimento Software Livre e ao projeto GNU[^GNU], iniciado por Richard Stallman na década de 80. Stallman definiu *software* livre [^SL] em Fevereiro de 1986 e esta definição é mantida atualmente pela Free Software Foundation. Stallman também escreveu a primeira licença de *software* livre, a General Public Licence [^GPL]. Fica entendido que: São diversas as definições e declarações que foram criadas para se referir à liberdade do conhecimento. É adequado afirmar que uma raiz filosófica que embasa os atuais movimentos de cultura livre e abertura do conhecimento remonta ao movimento Software Livre e ao projeto GNU[^GNU], iniciado por Richard Stallman na década de 80. Stallman definiu *software* livre [^SL] em Fevereiro de 1986 e esta definição é mantida atualmente pela Free Software Foundation. Stallman também escreveu a primeira licença de *software* livre, a General Public Licence [^GPL]. Fica entendido que:
> Por “*software* livre” devemos entender aquele *software* que respeita a liberdade e senso de comunidade dos usuários. Grosso modo, **os usuários possuem a liberdade de executar, copiar, distribuir, estudar, mudar e melhorar o *software***. Assim sendo, “*software* livre” é uma questão de liberdade, não de preço. > Por “*software* livre” devemos entender aquele *software* que respeita a liberdade e senso de comunidade dos usuários. Grosso modo, **os usuários possuem a liberdade de executar, copiar, distribuir, estudar, mudar e melhorar o *software***. Assim sendo, “*software* livre” é uma questão de liberdade, não de preço.
Em 5 de Julho de 1997 a comunidade de desenvolvedores da distribuição GNU/Linux Debian ratificou orientações Debian para Software Livre [^DEBIAN] especificando os critérios para o *software* livre que é aceito na distribuição. Mais tarde as orientações Debian para *software* livre foram utilizadas como base para a definição de *software* de código aberto (*open source definition*) [^OSD], buscando utilizar linguagem mais amena para maior disseminação do termo em meios mais conservadores. Richard Stallman apontou que o termo *software* de código aberto deve ser evitado [^OSD_Misses], enquanto Bruce Perens explicou como se deu esta definição em um capítulo do livro "*Open Sources: Voices from the Open Source Revolution*" (PERENS, 1999). Em 5 de Julho de 1997 a comunidade de desenvolvedores da distribuição GNU/Linux Debian ratificou orientações Debian para Software Livre [^DEBIAN] especificando os critérios para o *software* livre que é aceito na distribuição. Mais tarde as orientações Debian para *software* livre foram utilizadas como base para a definição de *software* de código aberto (*open source definition*) [^OSD], buscando utilizar linguagem mais amena para maior disseminação do termo em meios mais conservadores. Richard Stallman apontou que o termo *software* de código aberto deve ser evitado [^OSD_Misses], enquanto Bruce Perens explicou como se deu esta definição em um capítulo do livro "*Open Sources: Voices from the Open Source Revolution*" (PERENS, 1999).
...@@ -66,9 +66,9 @@ Esta definição é de caráter geral e expande as quatro liberdades fundamentai ...@@ -66,9 +66,9 @@ Esta definição é de caráter geral e expande as quatro liberdades fundamentai
#### 1.3.2 A definição de Hardware Aberto e Livre (HAL) #### 1.3.2 A definição de Hardware Aberto e Livre (HAL)
A comunidade de *hardware* aberto e livre se reuniu em meados de 2010 para criar uma definição para o Open Source Hardware [^OSHWDef], que aqui é traduzida como Definicão de Hardware Aberto e Livre. A definição, na sua versão 1.0 inicia com uma declaração de princípios que podem ser traduzidos da seguinte maneira: A comunidade de *hardware* aberto e livre se reuniu em meados de 2010 para criar uma definição para o Open Source Hardware [^OSHWDef], que aqui é traduzida como Definição de Hardware Aberto e Livre. A definição, na sua versão 1.0 inicia com uma declaração de princípios que podem ser traduzidos da seguinte maneira:
> Open source *hardware* é o *hardware* cujos projetos são disponibilizados publicamente de modo que qualquer um possa estudar, modificar, distribuir, fabricar e vender o projeto ou o *hardware* baseado no projeto. A fonte do *hardware*, o projeto do qual ele é fabricado, é disponibilizado no formato mais adequado para que nele sejam feitas modificações. Idealmente, *hardware* de código aberto utiliza componentes e materiais facilmente acessíveis, processos padrões, infraestrutura aberta, conteúdo irrestrito, e ferramentas de desenho livres para maximizar a possibilidade dos indivíduos fazerem e utilizarem o *hardware*. *Hardware* de código aberto dá às pessoas a liberdade de controlar a sua tecnologia enquanto compartilham conhecimento e encoraja o comércio através do compartilhamento aberto dos projetos. > *Open source hardware* é o *hardware* cujos projetos são disponibilizados publicamente de modo que qualquer um possa estudar, modificar, distribuir, fabricar e vender o projeto ou o *hardware* baseado no projeto. A fonte do *hardware*, o projeto do qual ele é fabricado, é disponibilizado no formato mais adequado para que nele sejam feitas modificações. Idealmente, *hardware* de código aberto utiliza componentes e materiais facilmente acessíveis, processos padrões, infraestrutura aberta, conteúdo irrestrito, e ferramentas de desenho livres para maximizar a possibilidade dos indivíduos fazerem e utilizarem o *hardware*. *Hardware* de código aberto dá às pessoas a liberdade de controlar a sua tecnologia enquanto compartilham conhecimento e encoraja o comércio através do compartilhamento aberto dos projetos.
**Esclarecimento: o que é *hardware*?** **Esclarecimento: o que é *hardware*?**
...@@ -92,15 +92,15 @@ No que se refere ao *software* utilizado para projetar o *hardware*, este surge ...@@ -92,15 +92,15 @@ No que se refere ao *software* utilizado para projetar o *hardware*, este surge
Sem a disponibilidade de tal infraestrutura observamos um modelo centralizado de desenvolvimentos de projetos de *hardware* aberto onde o desenvolvimento é realizado por grandes contribuições realizadas por poucos indivíduos. Sem a disponibilidade de tal infraestrutura observamos um modelo centralizado de desenvolvimentos de projetos de *hardware* aberto onde o desenvolvimento é realizado por grandes contribuições realizadas por poucos indivíduos.
A seguir apresentamos a nossa visão de práticas e infraestrutura necessária para o desenvolvimento aberto e colaborativo de Tecnologias Acadêmicas e HAL. A seguir apresentamos a nossa visão de práticas e infraestrutura necessárias para o desenvolvimento aberto e colaborativo de Tecnologias Acadêmicas e HAL.
### 1.5 Hiperobjetos ### 1.5 Hiperobjetos
Se por um lado diversas vertentes de abertura e liberdade do conhecimento surgiram a partir dos ideais de *software* livre, por outro, estas diferentes vertentes têm alguma dificuldade em encontrar um ponto comum de atuação. Por exemplo, muitos entusiastas de *hardware* aberto e livre não necessariamente prezam pelo uso de *software* livre para a realização de seus projetos, assim como é comum defensores de recursos educacionais abertos utilizarem plataformas proprietárias para produzir e distribuir seus materiais didáticos sob licenças permissivas. A fim de construir uma base conceitual para o ponto em comum entre todas as vertentes de conhecimento aberto, do *software*, aos materiais multimídias e os equipamentos, foi criado o conceito de hiperobjeto (PEZZI, 2015). Hiperobjeto pode ser entendido como a interseção entre *hardware* livre, *software* livre e documentação livre, ou seja, é um objeto que foi criado com ferramentas livres, pode ser utilizado com *software* livre e sua documentação é livre. A documentação livre é toda a documentação acerca do objeto que for distribuída sob licença permissiva, formatos abertos e construídas com *software* livre. Ela pode incluir também manuais de uso, guias de atividades e aplicações em contextos de educação e ciência aberta. Isto é, a mesma integra ao hiperobjeto todo o material produzido relacionado ao hiperobjeto que foi disponibilizado pelos autores em conformidade com as definições de obras culturais livres e de conhecimento aberto [^esc]. Se por um lado diversas vertentes de abertura e liberdade do conhecimento surgiram a partir dos ideais de *software* livre, por outro, estas diferentes vertentes têm alguma dificuldade em encontrar um ponto comum de atuação. Por exemplo, muitos entusiastas de *hardware* aberto e livre não necessariamente prezam pelo uso de *software* livre para a realização de seus projetos, assim como é comum defensores de recursos educacionais abertos utilizarem plataformas proprietárias para produzir e distribuir seus materiais didáticos sob licenças permissivas. A fim de construir uma base conceitual para o ponto em comum entre todas as vertentes de conhecimento aberto, do *software* aos materiais multimídias e os equipamentos, foi criado o conceito de hiperobjeto (PEZZI, 2015). Hiperobjeto pode ser entendido como a interseção entre *hardware* livre, *software* livre e documentação livre, ou seja, é um objeto que foi criado com ferramentas livres, pode ser utilizado com *software* livre e sua documentação é livre. A documentação livre é toda a documentação acerca do objeto que for distribuída sob licença permissiva, formatos abertos e construída com *software* livre. Ela pode incluir também manuais de uso, guias de atividades e aplicações em contextos de educação e ciência aberta. Isto é, a mesma integra ao hiperobjeto todo o material produzido relacionado ao hiperobjeto que foi disponibilizado pelos autores em conformidade com as definições de obras culturais livres e de conhecimento aberto [^esc].
![Hiperobjetos](./figuras/hiperobjeto.png) ![Hiperobjetos](./figuras/hiperobjeto.png)
Outro ponto de destaque com relação aos princípios declarados na definição de *hardware* aberto refere-se à infraestrutura necessária para a fabricação do instrumento. A infraestrutura ideal para a fabricação de instrumentos livres são máquinas de fabricação digital, também chamadas de máquinas de fabricação personalizadas, e estão em pleno desenvolvimento. O conjunto destas integradas com uma estação de desenho e projetos dos componentes é chamado de **Bancada dos Hiperobjetos**. Outro ponto de destaque com relação aos princípios declarados na definição de *hardware* aberto e livre refere-se à infraestrutura necessária para a fabricação do instrumento. A infraestrutura ideal para a fabricação de instrumentos livres são máquinas de fabricação digital, também chamadas de máquinas de fabricação personalizadas, e estão em pleno desenvolvimento. O conjunto destas, integradas com uma estação de desenho e projetos dos componentes, é chamado de **Bancada dos Hiperobjetos**.
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...@@ -10,7 +10,7 @@ A dinâmica do CTA Jr. se dá da seguinte maneira: alguns projetos são escolhid ...@@ -10,7 +10,7 @@ A dinâmica do CTA Jr. se dá da seguinte maneira: alguns projetos são escolhid
Como há projetos de fato **desenvolvidos** — não apenas reproduzidos — pelo CTA Jr. (em alguns casos, diretamente em conjunto com o CTA), os alunos envolvidos nesses projetos aprendem na prática a lidar com e pensar sobre as questões em torno do conhecimento aberto, como documentação, uso de ferramentas abertas, tipos de licenças; tornando-os aptos não apenas ao uso de novas tecnologias, mas à apropriação efetiva destas tecnologias e capacitação ao trabalho colaborativo. O fato de estar produzindo conhecimento novo também serve como estímulo ao aprendizado; e até mesmo a documentação de projetos, tarefa comumente considerada enfadonha, pode se tornar incentivadora quando alunos da educação básica percebem que seu trabalho está disponibilizado e será usado pela comunidade lado a lado ao trabalho desenvolvido na universidade. Como há projetos de fato **desenvolvidos** — não apenas reproduzidos — pelo CTA Jr. (em alguns casos, diretamente em conjunto com o CTA), os alunos envolvidos nesses projetos aprendem na prática a lidar com e pensar sobre as questões em torno do conhecimento aberto, como documentação, uso de ferramentas abertas, tipos de licenças; tornando-os aptos não apenas ao uso de novas tecnologias, mas à apropriação efetiva destas tecnologias e capacitação ao trabalho colaborativo. O fato de estar produzindo conhecimento novo também serve como estímulo ao aprendizado; e até mesmo a documentação de projetos, tarefa comumente considerada enfadonha, pode se tornar incentivadora quando alunos da educação básica percebem que seu trabalho está disponibilizado e será usado pela comunidade lado a lado ao trabalho desenvolvido na universidade.
A criação de modelos computacionais em física utilizando a linguagem de programação Python/ Vpython [^modelagem] e o desenvolvimento de um braço mecânico simples (BRAMESIM) [^bramesim] e a sirene escolar concebida a pedido da direção da escola [^sirene] são exemplos de projetos inteiramente desenvolvidos no CTA Jr. A criação de modelos computacionais em física utilizando a linguagem de programação Python/ Vpython [^modelagem], o desenvolvimento de um braço mecânico simples (BRAMESIM) [^bramesim] e a sirene escolar concebida a pedido da direção da escola [^sirene] são exemplos de projetos inteiramente desenvolvidos no CTA Jr.
O projeto de criação de modelos computacionais de física utilizando o Python/Vpython tem como objetivo favorecer a aquisição de competências e concepções associadas à modelagem computacional de sistemas, processos e fenômenos da natureza por parte dos estudantes do Ensino Médio do CAp. Assim, a estratégia didática da modelagem científica, considerada como uma atividade de exploração, criação e validação de modelos cuja finalidade é compreender a realidade, permite aos estudantes do CAp vivenciar em primeira pessoa a atividade científica de construção de seus próprios modelos computacionais, criando um ambiente em que é possível estabelecer uma conexão entre o mundo abstrato e o mundo concreto, ajudando-o a dar significado ao que é estudado, por meio da conceitualização, da experimentação e, mais recentemente, da simulação. Para Pierre Lévy (LÉVY, 1993), “o conhecimento por simulação é sem dúvida um dos novos gêneros de saber que a ecologia cognitiva informatizada transporta”. Nesse contexto, o computador torna-se uma ferramenta indispensável no processo de alfabetização científica e na criação de modelos, pois permite a construção, a experimentação e a reflexão sobre o que é criado de modo interativo, colaborativo e dinâmico. Segundo Lévy (LÉVY, 1993), “um modelo digital, não é lido ou interpretado como um texto clássico, ele é geralmente explorado de forma interativa”. Desse modo, os modelos são corrigidos e aperfeiçoados através de constantes simulações. O projeto de criação de modelos computacionais de física utilizando o Python/Vpython tem como objetivo favorecer a aquisição de competências e concepções associadas à modelagem computacional de sistemas, processos e fenômenos da natureza por parte dos estudantes do Ensino Médio do CAp. Assim, a estratégia didática da modelagem científica, considerada como uma atividade de exploração, criação e validação de modelos cuja finalidade é compreender a realidade, permite aos estudantes do CAp vivenciar em primeira pessoa a atividade científica de construção de seus próprios modelos computacionais, criando um ambiente em que é possível estabelecer uma conexão entre o mundo abstrato e o mundo concreto, ajudando-o a dar significado ao que é estudado, por meio da conceitualização, da experimentação e, mais recentemente, da simulação. Para Pierre Lévy (LÉVY, 1993), “o conhecimento por simulação é sem dúvida um dos novos gêneros de saber que a ecologia cognitiva informatizada transporta”. Nesse contexto, o computador torna-se uma ferramenta indispensável no processo de alfabetização científica e na criação de modelos, pois permite a construção, a experimentação e a reflexão sobre o que é criado de modo interativo, colaborativo e dinâmico. Segundo Lévy (LÉVY, 1993), “um modelo digital, não é lido ou interpretado como um texto clássico, ele é geralmente explorado de forma interativa”. Desse modo, os modelos são corrigidos e aperfeiçoados através de constantes simulações.
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A declaração de HAL idealiza que "_*hardware* de código aberto utiliza componentes e materiais facilmente acessíveis, processos padrões, infraestrutura aberta, conteúdo irrestrito, e ferramentas de desenho livres para maximizar a possibilidade dos indivíduos fazerem e utilizarem o *hardware*_". Porém a carência de infraestrutura aberta e ferramentas de desenho livres limitam as possibilidades de criação de *hardware* de acordo com os princípios de abertura e liberdade. Esta é uma deficiência que reduz o alcance e o impacto de iniciativas que buscam popularizar a fabricação digital e que podem até prejudicam o entendimento do que efetivamente é HAL. A declaração de HAL idealiza que "_*hardware* de código aberto utiliza componentes e materiais facilmente acessíveis, processos padrões, infraestrutura aberta, conteúdo irrestrito, e ferramentas de desenho livres para maximizar a possibilidade dos indivíduos fazerem e utilizarem o *hardware*_". Porém a carência de infraestrutura aberta e ferramentas de desenho livres limitam as possibilidades de criação de *hardware* de acordo com os princípios de abertura e liberdade. Esta é uma deficiência que reduz o alcance e o impacto de iniciativas que buscam popularizar a fabricação digital e que podem até prejudicam o entendimento do que efetivamente é HAL.
Um exemplo de popularização dos meios de fabricação digital e distribuída são os chamados FabLabs, laboratórios de fabricação, que contam com máquinas de fabricação digital tais como fresadoras de controle numérico computadorizado, impressoras 3D entre outras máquinas para execução de projetos. É uma iniciativa interessante que, por um lado, visa a aproximação entre instrumentos de prototipagem e produção e as pessoas interessadas, aumentando e difundindo a cultura da produção de *hardware* ou cultura maker, por outro, conta com equipamentos de elevado custo financeiro, que também perpetua a necessidade de uso dos *softwares* proprietários que os acompanham, dificultando a criação *hardware* e sua documentação que esteja alinhado com a definição de HAL. Este modelo colabora (negativamente) para a carência de padrões de arquivos e programas livres para desenho e modificação de projetos uma vez que propagam e disseminam ferramentas proprietárias e infraestrutura fechada em meio à cultura maker. Além disso, não é garantido que um projeto desenvolvido em um determinado *software*/*hardware* proprietário poderá ser adaptado ou construído em outro equivalente. É aqui que os pontos de infraestrutura aberta, padrões abertos e *software* livre, presentes nas definições do *hardware* aberto e livre, se fazem importantes, pois é com eles que qualquer projeto poderá, em princípio, ser replicado sem maiores dificuldades. São os pontos que estimulam/viabilizam a criação de comunidades de usuários e desenvolvedores de HAL. Um exemplo de popularização dos meios de fabricação digital e distribuída são os chamados FabLabs, laboratórios de fabricação, que contam com máquinas de fabricação digital tais como fresadoras de controle numérico computadorizado, impressoras 3D entre outras máquinas para execução de projetos. É uma iniciativa interessante que, por um lado, visa a aproximação entre instrumentos de prototipagem e produção e as pessoas interessadas, aumentando e difundindo a cultura da produção de *hardware* ou cultura *maker*, por outro, conta com equipamentos de elevado custo financeiro, que também perpetua a necessidade de uso dos *softwares* proprietários que os acompanham, dificultando a criação *hardware* e sua documentação que esteja alinhado com a definição de HAL. Este modelo colabora (negativamente) para a carência de padrões de arquivos e programas livres para desenho e modificação de projetos uma vez que propagam e disseminam ferramentas proprietárias e infraestrutura fechada em meio à cultura *maker*. Além disso, não é garantido que um projeto desenvolvido em um determinado *software*/*hardware* proprietário poderá ser adaptado ou construído em outro equivalente. É aqui que os pontos de infraestrutura aberta, padrões abertos e *software* livre, presentes nas definições do *hardware* aberto e livre, se fazem importantes, pois é com eles que qualquer projeto poderá, em princípio, ser replicado sem maiores dificuldades. São os pontos que estimulam/viabilizam a criação de comunidades de usuários e desenvolvedores de HAL.
O Centro de Tecnologia Acadêmica do IF/UFRGS tem atuado no desenvolvimento da infraestrutura aberta que eventualmente viabilizará a construção de FabLabs realmente livres. Faz isso pela promoção do conceito da bancada dos hiperobjetos e o desenvolvimento de máquinas de fabricação digital que a compõe, a exemplo da Fresadora PCI João-de-barro. O Centro de Tecnologia Acadêmica do IF/UFRGS tem atuado no desenvolvimento da infraestrutura aberta que eventualmente viabilizará a construção de FabLabs realmente livres. Faz isso pela promoção do conceito da bancada dos hiperobjetos e o desenvolvimento de máquinas de fabricação digital que a compõe, a exemplo da Fresadora PCI João-de-barro.
O CTA se alia ao Colégio de Aplicação da UFRGS para atuar além do ambiente universitário, alcançando também o ensino básico através do CTA Jr, onde também são aplicados os conceitos de liberdade e abertura do conhecimento e são promovidas as ferramentas e práticas para potencializar a expansão do conhecimento acadêmico. Para atingir os objetivos de organização e documentação de projetos, os participantes do CTA se empoderaram das ferramentas utilizadas por projetos colaborativos e distribuidos bem sucedidos. Destacamos projetos de infraestrutura, como a Fresadora PCI João-de-Barro, projetos de ensino de engenharia, programação e aquisição de dados através dos Shields Amplificador de Instrumentação e Arduino básico e projetos de ciência cidadã através do projeto das Estações Meteorológicas Modulares. O CTA se alia ao Colégio de Aplicação da UFRGS para atuar além do ambiente universitário, alcançando também o ensino básico através do CTA Jr, onde também são aplicados os conceitos de liberdade e abertura do conhecimento e são promovidas as ferramentas e práticas para potencializar a expansão do conhecimento acadêmico. Para atingir os objetivos de organização e documentação de projetos, os participantes do CTA se empoderaram das ferramentas utilizadas por projetos colaborativos e distribuidos bem sucedidos. Destacamos projetos de infraestrutura, como a Fresadora PCI João-de-Barro, projetos de ensino de engenharia, programação e aquisição de dados através dos *Shields* Amplificador de Instrumentação e Arduino básico e projetos de ciência cidadã através do projeto das Estações Meteorológicas Modulares.
Por fim, também promovemos empreendedorismo aberto através de projetos que são livres para serem distribuidos sem discriminação, inclusive comercializados. Isto abre novas possibilidades para os estudantes utilizarem os materiais e métodos com os quais tem contato durante os cursos. Mais do que isso, através de projetos e práticas de pesquisa e desenvolvimento que estão de acordo com os princípios de abertura, e do desenvolvimento de infraestrutura e de práticas organizacionais/institucionais alinhados, semeamos no ambiente acadêmico a cultura da abertura e da liberdade na expansão do conhecimento, que consideramos essenciais para atualizar a academia nos modos de produção e circulação do conhecimento e da cultura. Por fim, também promovemos empreendedorismo aberto através de projetos que são livres para serem distribuidos sem discriminação, inclusive comercializados. Isto abre novas possibilidades para os estudantes utilizarem os materiais e métodos com os quais tem contato durante os cursos. Mais do que isso, através de projetos e práticas de pesquisa e desenvolvimento que estão de acordo com os princípios de abertura, e do desenvolvimento de infraestrutura e de práticas organizacionais/institucionais alinhados, semeamos no ambiente acadêmico a cultura da abertura e da liberdade na expansão do conhecimento, que consideramos essenciais para atualizar a academia nos modos de produção e circulação do conhecimento e da cultura.
...@@ -15,7 +15,7 @@ Por fim, também promovemos empreendedorismo aberto através de projetos que sã ...@@ -15,7 +15,7 @@ Por fim, também promovemos empreendedorismo aberto através de projetos que sã
O Centro de Tecnologia Acadêmica é parcialmente financiado pelo CNPq. O Centro de Tecnologia Acadêmica é parcialmente financiado pelo CNPq.
Manifestamos nossa gratidão aos integrantes do CTA, Béuren Bechlin, Flávio Depaoli, Paulo Müller, Diogo Friggo Panda, Germano Postal, Alisson Claudino, Nelso Jost, Guilherme Weihmann, Leonardo Brunnet, Sebastian Gonçalves, Gabriel Krieger, Lucas Leal, Gilberto Fetzner Filho e todes demais que participaram e colaboraram desde a fundação do CTA, que são muitos para serem listados aqui, motivo pelo qual somos ainda mais gratos. Manifestamos nossa gratidão aos integrantes do CTA, Béuren Bechlin, Flávio Depaoli, Paulo Müller, Diogo Friggo Panda, Germano Postal, Alisson Claudino, Nelso Jost, Guilherme Weihmann, Leonardo Brunnet, Sebastian Gonçalves, Gabriel Krieger, Lucas Leal, Gilberto Fetzner Filho e as outras pessoas que participaram e colaboraram desde a fundação do CTA, que são muitos para serem listados aqui, motivo pelo qual somos ainda mais gratos.
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__Referências:__ __Referências:__
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As mudanças nas condições de produção e circulação da informação, do conhecimento e da cultura também trazem novas oportunidades e desafios para o mercado. Se por um lado a crença de que a viabilidade econômica de investimentos em inovação precisam ser baseados em monopólios viabilizados por segredos industriais, comerciais e outras formas de propriedade intelectual está sendo erodida pelo sucesso demonstrado de empreendedorismo aberto, por outro, o crescimento da demanda por tecnologias não limitadas pelos monopólios e a redução de custos associadas aos mecanismos de inovação de código aberto têm mostrado que as tecnologias livres e abertas são alternativas de potencial interesse em novas lógicas de mercado. As mudanças nas condições de produção e circulação da informação, do conhecimento e da cultura também trazem novas oportunidades e desafios para o mercado. Se por um lado a crença de que a viabilidade econômica de investimentos em inovação precisam ser baseados em monopólios viabilizados por segredos industriais, comerciais e outras formas de propriedade intelectual está sendo erodida pelo sucesso demonstrado de empreendedorismo aberto, por outro, o crescimento da demanda por tecnologias não limitadas pelos monopólios e a redução de custos associadas aos mecanismos de inovação de código aberto têm mostrado que as tecnologias livres e abertas são alternativas de potencial interesse em novas lógicas de mercado.
O mercado de tecnologias livres teve sua origem nos anos 90 através do *software* livre. Este mercado tem crescido e pode ser ilustrado com o exemplo da RedHat, uma empresa que oferece soluções de *software* livre e serviços relacionados. Esta empresa declarou, no ano fiscal que se encerrou em fevereiro de 2015, um faturamento de 1.79 Bilhões de Dolares americanos, com lucro de US$ 180 milhões no ano [^RedHat]. Porém também existem milhares de pequenas e médias empresas de desenolvimento, suporte e treinamento de *software* livre. O mercado de tecnologias livres teve sua origem nos anos 90 através do *software* livre. Este mercado tem crescido e pode ser ilustrado com o exemplo da RedHat, uma empresa que oferece soluções de *software* livre e serviços relacionados. Esta empresa declarou, no ano fiscal que se encerrou em fevereiro de 2015, um faturamento de 1.79 bilhões de dólares dos Estados Unidos, com lucro de US$ 180 milhões no ano [^RedHat]. Porém também existem milhares de pequenas e médias empresas de desenolvimento, suporte e treinamento de *software* livre.
O princípios dos modelos de negócio abertos que usualmente eram aplicados para o *software* livre, começaram a ser adaptados para o mercado de *hardware* aberto e livre. Empresas relativamente recentes, tais como Adafruit [^AF] e SparkFun [^SF], têm se mantido em plena expansão por meio de negócios colaborativos utilizando *hardware* aberto e livre. Para o CEO da Sparkfun, Nate Seidle, empresas que confiam demais em sua propriedade intelectual, acabam ficando defasadas, sofrendo de "obesidade de propriedade intelectual", assim que a tecnologia muda [^ipobesity]. A Sparkfun é uma empresa desenvolvedora de componentes eletrônicos diversos, com faturamento acumulado em 75 milhões de dólares desde sua fundação em 2003 até o final de 2012 [^ipobesity], atingindo no ano de 2011 um faturamento de 18.3 milhões[^businesshat]. Esta empressa é expoente dentro de um cenário com outras empresas desenvolvedoras de *hardware* aberto e livre com faturamentos milionários [^fooeastignite2010]. O princípios dos modelos de negócio abertos que usualmente eram aplicados para o *software* livre, começaram a ser adaptados para o mercado de *hardware* aberto e livre. Empresas relativamente recentes, tais como Adafruit [^AF] e SparkFun [^SF], têm se mantido em plena expansão por meio de negócios colaborativos utilizando *hardware* aberto e livre. Para o CEO (do inglês *Chief Executive Officer*, ou diretor executivo) da Sparkfun, Nate Seidle, empresas que confiam demais em sua propriedade intelectual, acabam ficando defasadas, sofrendo de "obesidade de propriedade intelectual", assim que a tecnologia muda [^ipobesity]. A Sparkfun é uma empresa desenvolvedora de componentes eletrônicos diversos, com faturamento acumulado em 75 milhões de dólares desde sua fundação em 2003 até o final de 2012 [^ipobesity], atingindo no ano de 2011 um faturamento de US$ 18.3 milhões[^businesshat]. Esta empressa é expoente dentro de um cenário com outras empresas desenvolvedoras de *hardware* aberto e livre com faturamentos milionários [^fooeastignite2010].
Um desafio a ser superado reside em desconstruir a crença de que a abertura de um empreendimento o faz perder o propósito de lucrar. Não há correlação direta entre estes fatores, tendo em vista os casos de prosperidade mencionados anteriormente, o que remete também à distinção de abertura e liberdade para gratuidade. A verdadeira mudança se apresenta na forma de organização do desenvolvimento do produto e não na sua rentabilidade. É preciso avançar nos modelos de negócios que fazem uso de licenças permissivas e ao mesmo tempo não atuam de forma predatória aos grupos que criam e mantém a base da tecnologia livre e aberta. Este é um cenário recente, e é necessário que seja explorado e diversificado, que mantenha uma relação ética e se integre à ecologia de desenvolvimento das tecnologias livres e abertas, colaborando para sua melhoria e diversificação. Um desafio a ser superado reside em desconstruir a crença de que a abertura de um empreendimento o faz perder o propósito de lucrar. Não há correlação direta entre estes fatores, tendo em vista os casos de prosperidade mencionados anteriormente, o que remete também à distinção de abertura e liberdade para gratuidade. A verdadeira mudança se apresenta na forma de organização do desenvolvimento do produto e não na sua rentabilidade.
O Centro de Tecnologia Acadêmica disponibiliza suas tecnologias e ferramentas para o empreendedorismo aberto. Ao licenciar seus projetos com licenças permissivas, convida aqueles que tem contato com seus projetos a se apropriarem de sua tecnologia, tanto em suas atividades acadêmicas, como também para integração em atividades economicas, sem discriminação e livre de cobrança de *royalties*. É preciso avançar nos modelos de negócios que fazem uso de licenças permissivas e ao mesmo tempo não atuam de forma predatória aos grupos que criam e mantém a base da tecnologia livre e aberta. Este é um cenário recente, e é necessário que seja explorado e diversificado, que mantenha uma relação ética e se integre à ecologia de desenvolvimento das tecnologias livres e abertas, colaborando para sua melhoria e diversificação.
O Centro de Tecnologia Acadêmica disponibiliza suas tecnologias e ferramentas para o empreendedorismo aberto. Ao licenciar seus projetos com licenças permissivas, convida aqueles que tẽm contato com seus projetos a se apropriarem de sua tecnologia, tanto em suas atividades acadêmicas, como também para integração em atividades econômicas, sem discriminação e livre de cobrança de *royalties*.
__Notas:__ __Notas:__
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## 2. Infraestrutura e práticas para expansão do conhecimento ## 2. Infraestrutura e práticas para expansão do conhecimento
A integração dos princípios apresentados na seção anterior às atividades do ambiente acadêmico traz vantagens ao mesmo tempo em que cria novas oportunidades e desafios. É necessária a criação e adaptação de infraestrutura e práticas para potencializar a expansão do conhecimento acadêmico. Nasta seção destacamos a documentação como prática essencial para a execução de um projeto e as ferramentas para a comunicação e memória de grupos e comunidades envolvidas em projetos. Além disso, apresentamos a bancada dos hiperobjetos como infraestrutura aberta para viabilizar a construção dos HAL em sua forma ideal. A integração dos princípios apresentados na seção anterior às atividades do ambiente acadêmico traz vantagens ao mesmo tempo em que cria novas oportunidades e desafios. É necessária a criação e adaptação de infraestrutura e práticas para potencializar a expansão do conhecimento acadêmico. Nesta seção destacamos a documentação como prática essencial para a execução de um projeto e as ferramentas para a comunicação e memória de grupos e comunidades envolvidas em projetos. Além disso, apresentamos a bancada dos hiperobjetos como infraestrutura aberta para viabilizar a construção dos HAL em sua forma ideal.
### 2.1 Documentação de projetos ### 2.1 Documentação de projetos
A documentação tem um papel fundamental tanto no desenvolvimento quanto na reprodução de *hardware* desenvolvido em acordo com os princípios do *hardware* aberto e livre (HAL). Isto ocorre porque nestes projetos é sobre a documentação que incidem as diferentes licenças permissivas existente para o HAL, ou seja, a existência da documentação é o que torna o projeto um HAL. A documentação tem um papel fundamental tanto no desenvolvimento quanto na reprodução de *hardware* desenvolvido em acordo com os princípios do *hardware* aberto e livre (HAL). Isto ocorre porque nestes projetos é sobre a documentação que incidem as diferentes licenças permissivas existentes para o HAL, ou seja, a existência da documentação é o que torna o projeto um HAL.
Sob os aspectos de conteúdo, a documentação de um HAL não deve ser vista apenas como um manual de utilização mas sim como o projeto em si. Nela devem constar todos os detalhes do projeto incluindo informações sobre todas as partes e peças, tanto as usadas quanto as desenvolvidas, com especial atenção para os arquivos fonte destas últimas. Deve ser tomado o cuidado na devida atribuição aos respectivos autores e licenças de uso, como especificado nas definições apresentadas anteriormente. Além da disponibilização dos arquivos fontes, a documentação deve ser clara quanto aos procedimetos envolvidos na construção, utilização, reprodução e derivação dos projetos. Sob os aspectos de conteúdo, a documentação de um HAL não deve ser vista apenas como um manual de utilização mas sim como o projeto em si. Nela devem constar todos os detalhes do projeto incluindo informações sobre todas as partes e peças, tanto as usadas quanto as desenvolvidas, com especial atenção para os arquivos fonte destas últimas. Deve ser tomado o cuidado na devida atribuição aos respectivos autores e licenças de uso, como especificado nas definições apresentadas anteriormente. Além da disponibilização dos arquivos fontes, a documentação deve ser clara quanto aos procedimetos envolvidos na construção, utilização, reprodução e derivação dos projetos.
...@@ -16,13 +16,13 @@ Uma documentação de qualidade, incluindo a sua disponibilidade e reprodutibili ...@@ -16,13 +16,13 @@ Uma documentação de qualidade, incluindo a sua disponibilidade e reprodutibili
A comunicação e a memória dos grupos e comunidades que se organizam em projetos no CTA é realizada pela apropriação das ferramentas utilizadas por projetos colaborativos e distribuidos bem sucedidos como por exemplo o kernel Linux e a Wikipédia. A comunicação e a memória dos grupos e comunidades que se organizam em projetos no CTA é realizada pela apropriação das ferramentas utilizadas por projetos colaborativos e distribuidos bem sucedidos como por exemplo o kernel Linux e a Wikipédia.
Naturalmente, um grupo que se propõe a fomentar e se adequar aos novos paradigmas culturais alinhados com os conceitos de abertura mencionados, acaba se diferenciando também em outros aspectos de sua estrutura organizacional. Citamos a seguir algumas das ferramentas e práticas utilizadas usualmente no CTA. Naturalmente, um grupo que se propõe a fomentar e se adequar aos novos paradigmas culturais alinhados com os conceitos de abertura que mencionamos, acaba se diferenciando também em outros aspectos de sua estrutura organizacional. Citamos a seguir algumas das ferramentas e práticas utilizadas no CTA.
__*Website* para gestão e documentação de projetos__ __*Website* para gestão e documentação de projetos__
O *site* do CTA [^SiteCTA] conta atualmente com uma instância de um sistema de gestão de projetos chamado ChiliProject [^chiliproject], inspirado no Repositório de *Hardware* Aberto do CERN [^OHWR]. A partir da página inicial do *site*, o visitante tem acesso à diversas plataformas de registros utilizadas pelo grupo, sendo também convidado para participar delas. Pode ser encontrada a lista de fóruns, Wiki de suporte e lista de projetos destacados. Temos buscado a apresentação de uma página inicial clara, interessante e simples. Apesar dos grandes avanços no último ano, manter a organização de modo a destacar o conteúdo de acordo com a sua relevância tem se mostrado um desafio. O *site* do CTA [^SiteCTA] conta atualmente com uma instância de um sistema de gestão de projetos chamado ChiliProject [^chiliproject], inspirado no Repositório de *Hardware* Aberto do CERN [^OHWR]. A partir da página inicial do *site*, o visitante tem acesso a diversas plataformas de registros utilizadas pelo grupo, sendo também convidado para participar delas. Pode ser encontrada a lista de fóruns, Wiki de suporte e lista de projetos destacados. Temos buscado a apresentação de uma página inicial clara, interessante e simples. Apesar dos grandes avanços no último ano, manter a organização de modo a destacar o conteúdo de acordo com a sua relevância tem se mostrado um desafio.
O *site* é organizado sob projetos, cada um conténdo uma Wiki, sistema de tarefas, fórum, repositório de arquivos, entre outras funcionalidades que facilitam a organização de equipes de desenvolvimento bem como a estruturação de um espaço para comunicação entre todos os interessados no projeto. As funcionalidades podem ser atividadas e desativadas pelo mantenedor do projeto. O *site* é organizado sob projetos, cada um conténdo uma Wiki, sistema de tarefas, fórum, repositório de arquivos, entre outras funcionalidades que facilitam a organização de equipes de desenvolvimento bem como a estruturação de um espaço para comunicação entre todos os interessados no projeto. As funcionalidades podem ser ativadas e desativadas pelo mantenedor do projeto.
**Fóruns** **Fóruns**
...@@ -32,11 +32,11 @@ Cada projeto pode contar com fóruns para discussão *online*. Na utilização d ...@@ -32,11 +32,11 @@ Cada projeto pode contar com fóruns para discussão *online*. Na utilização d
Realizamos encontros semanais, em formato presencial, com a finalidade de colocar em contato os colaboradores do CTA e outras pessoas interessadas no nosso trabalho, integrando as pessoas, os projetos e as ideias que permeiam o Centro. Cada encontro é iniciado com uma apresentação de cunho variado. Podem ser expostos desenvolvimentos de trabalho dos membros da equipe como também ocorrem discussões organizacionais ou dos fundamentos e diretrizes de trabalho, palestras diversas, estudos de casos onde conhecemos trabalhos desenvolvidos externamente. As apresentações são tipicamente proferidas pelos participantes do CTA, porém, acontece frequentemente de convidados especiais ou vistantes dirigirem a apresentação semanal. Realizamos encontros semanais, em formato presencial, com a finalidade de colocar em contato os colaboradores do CTA e outras pessoas interessadas no nosso trabalho, integrando as pessoas, os projetos e as ideias que permeiam o Centro. Cada encontro é iniciado com uma apresentação de cunho variado. Podem ser expostos desenvolvimentos de trabalho dos membros da equipe como também ocorrem discussões organizacionais ou dos fundamentos e diretrizes de trabalho, palestras diversas, estudos de casos onde conhecemos trabalhos desenvolvidos externamente. As apresentações são tipicamente proferidas pelos participantes do CTA, porém, acontece frequentemente de convidados especiais ou vistantes dirigirem a apresentação semanal.
Cada reunião é gerida por um gestor encarregado de redigir e organizar a pauta, coordenar a reunião e elaborar o relato e encaminhamentos do encontro. Cada reunião tem sua pauta e seus encaminhamentos expostos no fórum de suporte, nos "Encontros Periódicos" [^encontros_CTA]. Nessa dinâmica de reunião, observamos como alguns pontos positivos os fatos de que os papéis de gestor e apresentador são rotativos, de modo que todos os participantes do CTA têm a oportunidade de assumir estes papéis num período de algumas semanas. Esta é uma forma garantir que todos adquiram experiência nestes papéis e é também a forma de distribuir a carga e tipo de trabalho entre os participantes. Assim, os assuntos expostos nas apresentações permanecem atualizados, de forma que os apresentadores adquirem maturidade na apresentação de seus temas e recebem sugestões para encaminhamentos futuros. Os encontros são abertos para a participação de todos os interessados e almejamos, no futuro, proporcionar a participação *online* das reuniões a fim de tornar a reunião semanal mais inclusiva. Cada reunião é gerida por um gestor encarregado de redigir e organizar a pauta, coordenar a reunião e elaborar o relato e encaminhamentos do encontro. As pautas e encaminhamentos de cada reunião são expostas no fórum de suporte, nos "Encontros Periódicos" [^encontros_CTA]. Nessa dinâmica de reunião, observamos como alguns pontos positivos os fatos de que os papéis de gestor e apresentador são rotativos, de modo que todos os participantes do CTA têm a oportunidade de assumir estes papéis num período de algumas semanas. Esta é uma forma garantir que todos adquiram experiência nestes papéis e é também a forma de distribuir a carga e tipo de trabalho entre os participantes. Assim, os assuntos expostos nas apresentações permanecem atualizados, de forma que os apresentadores adquirem maturidade na apresentação de seus temas e recebem sugestões para encaminhamentos futuros. Os encontros são abertos para a participação de todos os interessados e almejamos, no futuro, proporcionar a participação *online* das reuniões a fim de tornar a reunião semanal mais inclusiva.
__Lista de *e-mails*__ __Lista de *e-mails*__
Complementamos a comunicação *online* utilizando listas de *e-mails*. Alguns projetos possuem lista de *emails*, além das listas de projetos, possuímos uma lista geral e uma lista para assuntos internos. Para os interessados no CTA, a lista mais recomendada é a lista geral do CTA. Nesta lista costuma-se informar sobre eventos, sobre as reuniões e tópicos relevantes. A lista de assuntos internos é uma lista em que se discutem certas trivialidades cotidianas e tarefas em andamento. Complementamos a comunicação *online* utilizando listas de *e-mails*. Somente alguns projetos possuem lista de *emails*. Além das listas de projetos, possuímos uma lista geral e uma lista para assuntos internos. Para os interessados no CTA, a lista mais recomendada é a lista geral do CTA. Nesta lista costuma-se informar sobre eventos, sobre as reuniões e tópicos relevantes. A lista de assuntos internos é uma lista em que se discutem certas trivialidades cotidianas e tarefas em andamento.
**GitLab como gestor de repositórios git** **GitLab como gestor de repositórios git**
...@@ -44,7 +44,7 @@ O git é um dos mais importantes e poderosos sistemas de controle de versão di ...@@ -44,7 +44,7 @@ O git é um dos mais importantes e poderosos sistemas de controle de versão di
**Oficinas** **Oficinas**
O CTA realiza oficinas de introdução às ferramentas livres utilizadas para o desenvolvimento de seus projetos assim como oficinas específicas dos projetos. Possuímos uma página chamada "Portfólio de Oficinas" na qual listamos e registramos materiais e referências de algumas das oficinas ministradas de forma que podemos facilmente reproduzí-las e ministrá-las novamente [^portfolio]. Existe um especial cuidado para que o material disponibilizado tenha licenças permissivas e confecionado integralmente em *software* livre, permitindo a sua derivação. As oficinas são elementos catalisadores no compartilhamento do conhecimento produzido no CTA para a comunidade em geral, abrindo canais para a formação de uma comunidade consciente dos projetos desenvolvidos pelo Centro e engajada neles. O CTA realiza oficinas de introdução às ferramentas livres utilizadas para o desenvolvimento de seus projetos assim como oficinas específicas dos projetos. Possuímos uma página chamada "Portfólio de Oficinas" na qual listamos e registramos materiais e referências de algumas das oficinas ministradas de forma que podemos facilmente reproduzí-las e ministrá-las novamente [^portfolio]. Existe um especial cuidado para que o material disponibilizado tenha licenças permissivas e seja confeccionado integralmente em *software* livre, permitindo a sua derivação. As oficinas são elementos catalisadores no compartilhamento do conhecimento produzido no CTA para a comunidade em geral, abrindo canais para a formação de uma comunidade consciente dos projetos desenvolvidos pelo Centro e engajada neles.
### 2.3 Infraestrutura para o desenvolvimento de HAL: a Bancada dos hiperobjetos: ### 2.3 Infraestrutura para o desenvolvimento de HAL: a Bancada dos hiperobjetos:
...@@ -52,7 +52,7 @@ Identificando que a carência de infraestrutura aberta e ferramentas de desenho ...@@ -52,7 +52,7 @@ Identificando que a carência de infraestrutura aberta e ferramentas de desenho
Esta bancada é composta por i) um conjunto de máquinas de fabricação digital e tem por objetivo a materialização dos hiperobjetos e ii) as ferramentas digitais para desenho e simulação dos componentes de *hardware*. A intenção é que as máquinas da bancada sejam autoreplicantes, assim como o que ocorreu com a impressora 3D Reprap (JONES et al., 2011), pois esta liberdade estimula a inovação e a colaboração no desenvolvimento da própria bancada. Esta bancada é composta por i) um conjunto de máquinas de fabricação digital e tem por objetivo a materialização dos hiperobjetos e ii) as ferramentas digitais para desenho e simulação dos componentes de *hardware*. A intenção é que as máquinas da bancada sejam autoreplicantes, assim como o que ocorreu com a impressora 3D Reprap (JONES et al., 2011), pois esta liberdade estimula a inovação e a colaboração no desenvolvimento da própria bancada.
A bancada de hiperobjetos sendo desenvolvida com estes princípios visa a abrir o caminho para que boas práticas de desenvolvimento colaborativo se fixem na comunidade e, com isto, que padrões e parâmetros para o desenvolvimento de HAL sejam estabelecidos. Atualmente, o desenvolvimento de HAL apresenta dificulades devido à carência de *softwares* livres para CAD (*computer aided design*) com funcionalidades equivalentes às dos *software* proprietários para algumas áreas, dificultado a criação de hiperobjetos mais complexos, ou seja, para que os conceitos de liberdade necessários na elaboração de hiperobjetos sejam atingidos, o desenvolvimento de CADs livres de alto nível é essencial. A bancada de hiperobjetos sendo desenvolvida com estes princípios visa a abrir o caminho para que boas práticas de desenvolvimento colaborativo se fixem na comunidade e, com isto, que padrões e parâmetros para o desenvolvimento de HAL sejam estabelecidos. Atualmente, o desenvolvimento de HAL apresenta dificulades devido à carência de *softwares* livres para CAD (*computer aided design*) com funcionalidades equivalentes às dos *software* proprietários para algumas áreas, dificultado a criação de hiperobjetos mais complexos. Ou seja, para que os conceitos de liberdade necessários na elaboração de hiperobjetos sejam atingidos, o desenvolvimento de CADs livres de alto nível é essencial.
Recentemente, o projeto KiCad [^KiCAD] realizou um grande avanço nas possibilidades relacionadas ao desenvolvimento de circuitos eletrônicos ao disponibilizar um *software* livre de alto nível e desempenho comparável às alternativas proprietárias. Com isto, efetivamente viabilizou a comunicação livre de, e entre, projetos de circuitos eletrônicos. Ansiamos por outros programas CAD livres capazes atuar em outras áreas de engenharia como desenhos mecânicos. Recentemente, o projeto KiCad [^KiCAD] realizou um grande avanço nas possibilidades relacionadas ao desenvolvimento de circuitos eletrônicos ao disponibilizar um *software* livre de alto nível e desempenho comparável às alternativas proprietárias. Com isto, efetivamente viabilizou a comunicação livre de, e entre, projetos de circuitos eletrônicos. Ansiamos por outros programas CAD livres capazes atuar em outras áreas de engenharia como desenhos mecânicos.
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...@@ -8,40 +8,40 @@ A maioria das atividades realizadas pelo CTA, tanto locais como as externas, nec ...@@ -8,40 +8,40 @@ A maioria das atividades realizadas pelo CTA, tanto locais como as externas, nec
O TropOS foi desenvolvido para que houvesse uniformidade nas versões dos *softwares* rodando nos *pendrives* disponibilizados tanto nas oficinas quanto nos laboratórios, permitindo que as soluções pudessem ser facilmente compartilhadas por todos durante o curso, por exemplo. Devido ao seu desenvolvimento ser razoavelmente genérico sem apresentar dependência em *hardware* específico para o seu funcionamento, espera-se que ao funcionar em um computador pessoal também funcione em outros. Com esta abordagem, é necessário manter um único sistema ao mesmo tempo em que existem muitos usuários para testá-la, tornado simples a verificação de problemas e o auxilio aos usuários. O TropOS foi desenvolvido para que houvesse uniformidade nas versões dos *softwares* rodando nos *pendrives* disponibilizados tanto nas oficinas quanto nos laboratórios, permitindo que as soluções pudessem ser facilmente compartilhadas por todos durante o curso, por exemplo. Devido ao seu desenvolvimento ser razoavelmente genérico sem apresentar dependência em *hardware* específico para o seu funcionamento, espera-se que ao funcionar em um computador pessoal também funcione em outros. Com esta abordagem, é necessário manter um único sistema ao mesmo tempo em que existem muitos usuários para testá-la, tornado simples a verificação de problemas e o auxilio aos usuários.
O TropOS é uma distribuição GNU/Linux baseada no Debian [^debian] feita especialmente para Laboratórios Pesquisa e Ensino. Esta distribuição acompanha pacotes específicos para atividades de pesquisa científica e ensino de física, astronomia, eletrônica, matemática, geografia, geologia e atividades artísticas. É um sistema operacional completo que pode ser utilizado sem a necessidade de instalação no computador, basta executá-lo através da inicialização do sistema a partir de *pendrive* inicializável. É ótimo para um primeiro contato com um sistema operacional livre sem a necessidade de instalá-lo e com a conveniência de permitir a instalação de mais programas.Todas as informações de como criar um *pendrive* com o TropOS ou até mesmo como criar uma nova versão personalizada do Debian estão disponíveis na Wiki do TropOS. Também, são disponibilizados fóruns e as demais estruturas comuns aos projetos mantidos pelo CTA. O TropOS é uma distribuição GNU/Linux baseada no Debian [^debian] feita especialmente para Laboratórios Pesquisa e Ensino. Esta distribuição acompanha pacotes específicos para atividades de pesquisa científica e ensino de física, astronomia, eletrônica, matemática, geografia, geologia e atividades artísticas. É um sistema operacional completo que pode ser utilizado sem a necessidade de instalação no computador, basta executá-lo através da inicialização do sistema a partir de *pendrive* inicializável. É ótimo para um primeiro contato com um sistema operacional livre sem a necessidade de instalá-lo e com a conveniência de permitir a instalação de mais programas.Todas as informações de como criar um *pendrive* com o TropOS ou até mesmo como criar uma nova versão personalizada do Debian estão disponíveis na Wiki do TropOS. Também são disponibilizados fóruns e as demais estruturas comuns aos projetos mantidos pelo CTA.
### 4.2 Fresadora PCI João-de-barro ### 4.2 Fresadora PCI João-de-barro
A primeira contribuição do CTA para as máquinas de fabricação digital da Bancada de Hiperobjetos consiste em uma máquina de prototipagem ou fabricação em pequena escala de placas de circuitos eletrônicos: a Fresadora PCI João-de-barro [^FJB]. Dada a existência de impressoras 3D de baixo custo, consideramos a fresadora de placas de circuito impresso (PCI) o próximo passo na evolção da bancada. Ela se enquadra em custo e nível de complexidade um pouco superior às impressoras 3D, mas bem inferior aos de CNC's de maior porte como aquelas para corte de peças metálicas, tais como engrenagens. A primeira contribuição do CTA para as máquinas de fabricação digital da Bancada de Hiperobjetos consiste em uma máquina de prototipagem ou fabricação em pequena escala de placas de circuitos eletrônicos: a Fresadora PCI João-de-barro [^FJB]. Dada a existência de impressoras 3D de baixo custo, consideramos a fresadora de placas de circuito impresso (PCI) o próximo passo no desenvolvimento da bancada. Ela se enquadra em custo e nível de complexidade um pouco superior às impressoras 3D, mas bem inferior aos de CNC's (do inglês *Computer Numeric Control*, ou controle numérico computadorizado) de maior porte como aquelas para corte de peças metálicas, tais como engrenagens.
Fresadoras equivalentes atualmente encontradas no mercado possuem um preço elevado, o que impossibilita que instituições de capacidade financeira mais modestas como escolas, institutos de pesquisa e pequenas oficinas possuam uma. O método convencional para a produção de placas de circuito impresso consiste na corrosão química da camada de cobre da placa seguida pela furação manual para fixação dos terminais dos componentes eletrônicos. É um processo lento e trabalhoso, de risco considerável, potencialmente nocivo ao meio ambiente, cuja complexidade pode comprometer a qualidade dos protótipos. Fresadoras equivalentes atualmente encontradas no mercado possuem um preço elevado, o que impossibilita que instituições de capacidade financeira mais modestas como escolas, institutos de pesquisa e pequenas oficinas possuam uma. O método convencional para a produção de placas de circuito impresso consiste na corrosão química da camada de cobre da placa seguida pela furação manual para fixação dos terminais dos componentes eletrônicos. É um processo lento e trabalhoso, de risco considerável, potencialmente nocivo ao meio ambiente, cuja complexidade pode comprometer a qualidade dos protótipos.
O baixo custo de fabricação da Fresadora PCI João-de-Barro, sua precisão e qualidade e seus atributos de HAL se apresenta como uma solução aos problemas apresentados. O projeto está disponível de maneira aberta e livre para a comunidade. Por ser um *hardware* aberto e livre (HAL), sua documentação está licenciada sob termos da licença de *hardware* aberto do CERN Ver. 1.2 [^CERN_OHWL], o que permite que qualquer interessado possa usar, estudar, fabricar, comercializar e modificar sua versão da Fresadora PCI João-de-Barro desde que respeite os termos da licença. Além disso, os *softwares* necessários para sua operação - KiCad, FlatCam, Universal G-Code Sender - são todos livres. O baixo custo de fabricação da Fresadora PCI João-de-Barro, sua precisão e qualidade e seus atributos de HAL se apresentam como uma solução aos problemas apresentados. O projeto está disponível de maneira aberta e livre para a comunidade. Por ser um *hardware* aberto e livre (HAL), sua documentação está licenciada sob termos da licença de *hardware* aberto do CERN Ver. 1.2 [^CERN_OHWL], o que permite que qualquer interessado possa usar, estudar, fabricar, comercializar e modificar sua versão da Fresadora PCI João-de-Barro desde que respeite os termos da licença. Além disso, os *softwares* necessários para sua operação - KiCad, FlatCam, Universal G-Code Sender - são todos livres.
A Fresadora PCI João-de-barro é uma máquina capaz de criar trilhas e realizar a furação em placas de circuito impresso para confecção de equipamentos eletrônicos através de comandos numéricos computadorizados (sigla CNC, do inglês *Computer Numeric Control*). Tais trilhas criam o isolamento necessário para que haja contato elétrico apenas entre componentes pré-determinados a serem posicionados e soldados posteriormente na placa de circuitos. Em analogia ao pássaro que constrói seu ninho e simboliza a ideia de liberdade, a Fresadora ganhou o nome de João-de-Barro, fazendo ainda menção à origem gaúcha da máquina. A Fresadora PCI João-de-barro é uma máquina capaz de criar trilhas e realizar a furação em placas de circuito impresso para confecção de equipamentos eletrônicos através de comandos numéricos computadorizados (sigla CNC). Tais trilhas criam o isolamento necessário para que haja contato elétrico apenas entre componentes pré-determinados a serem posicionados e soldados posteriormente na placa de circuitos. Em analogia ao pássaro que constrói seu ninho e simboliza a ideia de liberdade, a Fresadora ganhou o nome de João-de-Barro, fazendo ainda menção à origem gaúcha da máquina.
O seu desenvolvimento teve como objetivo projetar a máquna para que seja de fácil fabricação e manutenção, baixo custo, fácil obtenção das peças, sem comprometer sua qualidade. É robusta, com precisão de 12.5 micrômetros e área de trabalho de 200 mm x 150 mm. É capaz de fresar sua própria placa de controle, o que facilita seu processo de replicação. Agilizando e facilitando o processo de prototipagem, com ela foi possível produzir várias placas de diferentes projetos do CTA [^lista-placas], cujos projetos estão todos disponíveis como hiperobjetos. Após o lançamento da primeira versão, seu desenvolvimento continuou e pode ser acompanhado pelo fórum [^estado-atual]. O projeto de uma fresadora mais robusta para usinagem de materiais mais resistentes como plástico e até metais está sendo elaborada. O seu desenvolvimento teve como objetivo projetar a máquna para que seja de fácil fabricação e manutenção, baixo custo, fácil obtenção das peças, sem comprometer sua qualidade. É robusta, com precisão de 12.5 micrômetros e área de trabalho de 200 mm x 150 mm. É capaz de fresar sua própria placa de controle, o que facilita seu processo de replicação. Agilizando e facilitando o processo de prototipagem, com ela foi possível produzir várias placas de diferentes projetos do CTA [^lista-placas], cujos projetos estão todos disponíveis como hiperobjetos. Após o lançamento da primeira versão, seu desenvolvimento continua e pode ser acompanhado pelo fórum [^estado-atual]. O projeto de uma fresadora mais robusta para usinagem de materiais mais resistentes como plástico e até metais está sendo elaborada.
### 4.3 *Shield* Arduino Básico ### 4.3 *Shield* Arduino Básico
O Arduino é uma placa de prototipagem de eletrônicos de código aberto que tem popularizado o desenvolvimento de projetos digitais. Se mostrou uma porta de entrada para entusiastas interessados em eletrônica e programação, de modo que são usuais as oficinas de Arduino em eventos e feiras de tecnologias. O CTA oferece regularmente oficinas de introdução ao Arduino e seus participantes identificaram a familiarização com a *protoboard* e a montagem de circuitos eletrônicos simples como sendo a etapa limitate destas atividades, mesmo quando o foco era a programação do dispositivo. O Arduino é uma placa de prototipagem de eletrônicos de código aberto que tem popularizado o desenvolvimento de projetos digitais. Se mostrou uma porta de entrada para entusiastas interessados em eletrônica e programação, de modo que são usuais as oficinas de Arduino em eventos e feiras de tecnologias. O CTA oferece regularmente oficinas de introdução ao Arduino e seus participantes identificaram a familiarização com a *protoboard* e a montagem de circuitos eletrônicos simples como sendo a etapa limitante destas atividades, mesmo quando o foco era a programação do dispositivo.
Assim decidiu-se criar o Shield Arduino Básico [^Ard_basico] que consiste em um projeto de uma placa dedicada à introdução à programação para uso em oficinas de Arduino que dispunham de curtos períodos de tempo sem que necessitasse da montagem de um circuito eletrônico simples numa placa de ensaio (*protoboard*). A placa foi desenhada com o auxílio do *software* livre KiCAD epode ser confeccionada com a Fresadora PCI João-de-Barro. Assim decidiu-se criar o Shield Arduino Básico [^Ard_basico] que consiste em um projeto de uma placa dedicada à introdução à programação para uso em oficinas de Arduino que dispunham de curtos períodos de tempo sem que necessitasse da montagem de um circuito eletrônico simples numa placa de ensaio (*protoboard*). A placa foi desenhada com o auxílio do *software* livre KiCAD e pode ser confeccionada com a Fresadora PCI João-de-Barro.
Este projetoconsiste de uma placa de circuito impressa que, integrada à placa Arduino, fornece um instrumento para programação básica e aquisição de dados utilizando o Arduino. O *Shield* Arduino Básico permite que o usuário realize todas atividades de exemplo da plataforma Arduino, tais como controlar LED's (diodo emissor de luz, ou *Light Emitting Diode* do inglês) e adquirir dados de luminosidade através de um resistor dependente de luz (LDR, ou *Light Dependent Resistor*). Este projeto consiste de uma placa de circuito impressa que, integrada à placa Arduino, fornece um instrumento para programação básica e aquisição de dados utilizando o Arduino. O *Shield* Arduino Básico permite que o usuário realize todas atividades de exemplo da plataforma Arduino, tais como controlar LED's (diodo emissor de luz, ou *Light Emitting Diode* do inglês) e adquirir dados de luminosidade através de um resistor dependente de luz (LDR, ou *Light Dependent Resistor*).
Assim, o *Shield* Arduino Básico possibilita a inserção de um instrumento de ensino tecnológico básico em diversos espaços e atividades pedagógicas neste âmbito, de forma prática e de baixo custo. A plataforma Arduino em si trouxe um grande avanço no acesso à educação tecnológica, e o *Shield* traz suporte a essa plataforma. A documentação livre do projeto, além de seu desenvolvimento através de ferramentas livres, torna o *Shield* Arduino Básico um hardware aberto e livre (HAL), atingindo um dos objetivos do Centro de Tecnologia Acadêmica. Assim, o *Shield* Arduino Básico possibilita a inserção de um instrumento de ensino tecnológico básico em diversos espaços e atividades pedagógicas neste âmbito, de forma prática e de baixo custo. A plataforma Arduino em si trouxe um grande avanço no acesso à educação tecnológica, e o *Shield* traz suporte a essa plataforma. A documentação livre do projeto, além de seu desenvolvimento através de ferramentas livres, torna o *Shield* Arduino Básico um *hardware* aberto e livre (HAL), atingindo um dos objetivos do Centro de Tecnologia Acadêmica.
### 4.4 *Shield* amplificador de instrumentação ### 4.4 *Shield* amplificador de instrumentação
O *Shield* Amplificador de Instrumentação foi desenhado para amplificação e aquisição de dados correspondente a sinais de baixa intensidade com um Arduino em um sistema de alto desempenho e baixo custo. Permite a amplificação de sinais negativos, que, através de um bit de sinal e um retificador ideal, duplica a resolução da conversão analógica digital do Arduino para sinais alternados. Este projeto foi desenvolvido em uma parceria entre o Setor de Eletrônica do Instituto de Física e o Centro de Tecnologia Acadêmica da UFRGS para apoiar as atividades do curso de Instrumentação Física oferecido para estudantes de Bacharelado em Engenharia Física, mas tem potencial aplicação em outras áreas de engenharias e de nível técnico. As características do projeto tornam-no ideal para a sua utilização em projetos científicos e tecnológicos. O *Shield* Amplificador de Instrumentação foi desenhado para amplificação e aquisição de dados correspondente a sinais de baixa intensidade com um Arduino em um sistema de alto desempenho e baixo custo. Permite a amplificação de sinais negativos, que, através de um bit de sinal e um retificador ideal, duplica a resolução da conversão analógica digital do Arduino para sinais alternados. Este projeto foi desenvolvido em uma parceria entre o Setor de Eletrônica do Instituto de Física e o Centro de Tecnologia Acadêmica da UFRGS para apoiar as atividades do curso de Instrumentação Física oferecido para estudantes de Bacharelado em Engenharia Física, mas tem potencial aplicação em outras áreas de engenharias e de nível técnico. As características do projeto o tornam ideal para a utilização em projetos científicos e tecnológicos.
O repositório do projeto [^SHIELD_AI] contém os arquivos fonte do esquemático e placa de circuito impresso em projeto KiCAD, que foi projetada para ser facilmente confecionada com a Fresadora PCI João-de-Barro. O projeto está disponível sob os termos da Licença de *Hardware* Aberto do CERN ver 1.2. Além disso, o repositório contém notas técnicas com descrições do funcionamento dos principais estágios do circuito e orientações para sua calibração. O repositório do projeto [^SHIELD_AI] contém os arquivos fonte do esquemático e placa de circuito impresso em projeto KiCAD, que foi projetada para ser facilmente confeccionada com a Fresadora PCI João-de-Barro. O projeto está disponível sob os termos da Licença de *Hardware* Aberto do CERN ver 1.2. Além disso, o repositório contém notas técnicas com descrições do funcionamento dos principais estágios do circuito e orientações para sua calibração.
### 4.5 Estações meteorológicas modulares ### 4.5 Estações meteorológicas modulares
Fenômenos extremos, tanto naturais como de origem antropogênica cada vez mais despertam as atenções em todo o mundo, tanto pelo aumento de frequência como da sua severidade. Vivemos em um tempo no qual ações são necessárias a fim de reduzir os impactos negativos das ações humanas no planeta. Para que estas atitudes sejam conscientes e esclarecidas, é importante trazer à atenção do cidadão as questões climáticas e ambientais. Fenômenos extremos, tanto naturais como de origem antropogênica cada vez mais despertam as atenções em todo o mundo, tanto pelo aumento de frequência como da sua severidade. Vivemos em um tempo no qual ações são necessárias a fim de reduzir os impactos negativos das ações humanas no planeta. Para que estas atitudes sejam conscientes e esclarecidas, é importante trazer à atenção do cidadão as questões climáticas e ambientais.
O projeto das Estações Meteorológicas Modulares visa a atingir este objetivo através do engajamento cidadão em ações de monitoramento climático e ambiental, pela aplicação de estações meteorológicas modulares na formação de redes de coleta e análise de dados meteorológicos e ambientais. É fruto de uma parceria entre o CTA, o Colégio de Aplicação (CAp) e o Centro Estadual de Pesquisa em Sensoriamento Remoto e Metereologia (CEPSRM) da UFRGS. Esperamos que dê origem à uma rede de coleta de dados meteorológicos mais densas que aquelas compostas por estações institucionais, que seja capaz de monitorar microclimas com instrumentos abertos, de baixo custo e fácil reprodução e cujos resultados de medidas sejam disponíveis abertamente. O projeto das Estações Meteorológicas Modulares visa a atingir este objetivo através do engajamento cidadão em ações de monitoramento climático e ambiental, pela aplicação de estações meteorológicas modulares na formação de redes de coleta e análise de dados meteorológicos e ambientais. É fruto de uma parceria entre o CTA, o Colégio de Aplicação (CAp) e o Centro Estadual de Pesquisa em Sensoriamento Remoto e Meteorologia (CEPSRM) da UFRGS. Esperamos que dê origem a uma rede de coleta de dados meteorológicos mais densas que aquelas compostas por estações institucionais, que seja capaz de monitorar microclimas com instrumentos abertos, de baixo custo e fácil reprodução e cujos resultados de medidas sejam disponíveis abertamente.
Com essas condições favoráveis satisfeitas, esperamos que estes instrumentos sejam instalados também em instituições de capacidade financeira mais modestas como escolas, institutos de pesquisa, propriedades rurais, associações de moradores. Em ambientes escolares, a instrumentação poderá ser utilizada para aquisição de dados ao mesmo tempo em que são utilizadas em atividades de ensino e pesquisa. Além disso, a utilização dos instrumentos em atividades pedagógicas tem grande potencial na formação de cidadãos capazes de estudar e modificar, operar e calibrar a estação, qualificando-os para manter a rede de monitoramento climática e ambiental como também para o desenvolvimento de novas tecnologias a partir das habilidades adquiridas. Com essas condições favoráveis satisfeitas, esperamos que estes instrumentos sejam instalados também em instituições de capacidade financeira mais modestas como escolas, institutos de pesquisa, propriedades rurais, associações de moradores. Em ambientes escolares, a instrumentação poderá ser utilizada para aquisição de dados ao mesmo tempo em que são utilizadas em atividades de ensino e pesquisa. Além disso, a utilização dos instrumentos em atividades pedagógicas tem grande potencial na formação de cidadãos capazes de estudar e modificar, operar e calibrar a estação, qualificando-os para manter a rede de monitoramento climática e ambiental como também para o desenvolvimento de novas tecnologias a partir das habilidades adquiridas.
...@@ -49,7 +49,7 @@ Essa participação cidadã pode ser chamada de __ciência cidadã__, que se enq ...@@ -49,7 +49,7 @@ Essa participação cidadã pode ser chamada de __ciência cidadã__, que se enq
![Representação de protótipo da EMM](./figuras/vetoriais/board-proto.svg "Representação de protótipo educacional uma Estação Meteorológica Modular em protoboard") ![Representação de protótipo da EMM](./figuras/vetoriais/board-proto.svg "Representação de protótipo educacional uma Estação Meteorológica Modular em protoboard")
A documentação do projeto é distribuída sob a licença Creative Commons BY-SA 4.0, pode ser encontrada na wiki do projeto [^EMM-wiki] onde constam os materiais de desenvolvimento como o *firmware* do Arduino e o código python para a coleta de dados, o desenho do suporte e abrigo da estação, desenhado pelos estudantes do CAp, assim como os diagramas dos circuitos eletrônicos, como ilutsrado na figura. A versão mais atual da estação é capaz de monitorar temperatura, pressão, umidade relativa do ar e luminosidade e compartilhar os dados coletados através do servidor de dados abertos do CTA. A modularidade possibilita a adição e seleção de módulos à EMM, permitindo a adaptação do projeto para medição de outros parâmetros assim como para aplicações distintas de acordo com as demandas locais. A documentação do projeto é distribuída sob a licença Creative Commons BY-SA 4.0, pode ser encontrada na wiki do projeto [^EMM-wiki] onde constam os materiais de desenvolvimento como o *firmware* do Arduino e o código python para a coleta de dados, o desenho do suporte e abrigo da estação, desenhado pelos estudantes do CAp, assim como os diagramas dos circuitos eletrônicos, como ilustrado na figura. A versão mais atual da estação é capaz de monitorar temperatura, pressão, umidade relativa do ar e luminosidade e compartilhar os dados coletados através do servidor de dados abertos do CTA. A modularidade possibilita a adição e seleção de módulos à EMM, permitindo a adaptação do projeto para medição de outros parâmetros assim como para aplicações distintas de acordo com as demandas locais.
Os trabalhos desenvolvidos até o momento resultaram no artigo "Estações meteorológicas de código aberto: Um projeto de pesquisa e desenvolvimento tecnológico" (SILVA et al., 2015), publicado na Revista Brasileira de Ensino de Física em Março de 2015. O artigo descreve o desenvolvimento da Estação Meteorológica Modular, a calibração dos sensores e a comparação entre medidas obtidas com o primeiro protótipo da EMM e com uma estação meteorológica do CEPSRM. Os trabalhos desenvolvidos até o momento resultaram no artigo "Estações meteorológicas de código aberto: Um projeto de pesquisa e desenvolvimento tecnológico" (SILVA et al., 2015), publicado na Revista Brasileira de Ensino de Física em Março de 2015. O artigo descreve o desenvolvimento da Estação Meteorológica Modular, a calibração dos sensores e a comparação entre medidas obtidas com o primeiro protótipo da EMM e com uma estação meteorológica do CEPSRM.
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**Rafael Pezzi, Heitor Carpes Marques Fernandes, Marina Pinto Pizarro de Freitas, Leonardo Sehn Alves, Pedro Terra, Renan Bohrer da Silva, Jan Luc dos Santos Tavares** **Rafael Pezzi, Heitor Carpes Marques Fernandes, Marina Pinto Pizarro de Freitas, Leonardo Sehn Alves, Pedro Terra, Renan Bohrer da Silva, Jan Luc dos Santos Tavares**
Centro de Tecnologia Acadêmica, Instituto de Física da UFRGS. Av. Bento Gonçalves, 9500. Porto Alegre, RS, Brasil *Centro de Tecnologia Acadêmica, Instituto de Física da UFRGS. Av. Bento Gonçalves, 9500. Porto Alegre, RS, Brasil*
**Rafael Vasques Brandão** **Rafael Vasques Brandão**
Centro de Tecnologia Acadêmica Jr. do Colégio de Aplicação da UFRGS . Av. Bento Gonçalves, 9500. Porto Alegre, RS, Brasil *Centro de Tecnologia Acadêmica Jr. do Colégio de Aplicação da UFRGS . Av. Bento Gonçalves, 9500. Porto Alegre, RS, Brasil*
Acreditamos que, a fim de suprir as necessidades atuais da humanidade sem prejudicar as gerações futuras, é preciso que se desenvolva uma cultura de ampla colaboração e de continuidade do conhecimento. Por isso, o Centro de Tecnologia Acadêmica do Instituto de Física da UFRGS (CTA IF/UFRGS) foi criado com base nos princípios da cultura livre, utilizando e desenvolvendo conhecimento e tecnologias livres e abertas. Estas são tecnologias onde os usuários possuem as liberdades de seu uso, estudo, modificação e distribuição, garantindo autonomia no aprendizado, no uso, no desenvolvimento e na disseminação dessas tecnologias. Este artigo justifica a escolha das tecnologias livres e abertas e das práticas relacionadas, apresentando como as possibilidades de criação, uso e disseminação do conhecimento geradas pela tecnologia digital, que embasam a cultura digital, estão sendo utilizadas e aprimoradas no CTA IF/UFRGS. Acreditamos que, a fim de suprir as necessidades atuais da humanidade sem prejudicar as gerações futuras, é preciso que se desenvolva uma cultura de ampla colaboração e de continuidade do conhecimento. Por isso, o Centro de Tecnologia Acadêmica do Instituto de Física da UFRGS (CTA IF/UFRGS) foi criado com base nos princípios da cultura livre, utilizando e desenvolvendo conhecimento e tecnologias livres e abertas. Estas são tecnologias onde os usuários possuem as liberdades de seu uso, estudo, modificação e distribuição, garantindo autonomia no aprendizado, no uso, no desenvolvimento e na disseminação dessas tecnologias. Este artigo justifica a escolha das tecnologias livres e abertas e das práticas relacionadas, apresentando como as possibilidades de criação, uso e disseminação do conhecimento geradas pela tecnologia digital, que embasam a cultura digital, estão sendo utilizadas e aprimoradas no CTA IF/UFRGS.
Iniciamos com uma breve reflexão sobre os impactos das tecnologias digitais na circulação da informação, do conhecimento e da cultura e apontamos os benefícios dos conceitos de liberdade e abertura do conhecimento aplicados à ciência, tecnologia e educação. Em seguida apresentamos o *hardware* aberto e livre (HAL) como o passo eminente na evolução do desenvolvimento colaborativo de tecnologias. Fazendo uma análise dos conceitos, apontamos para a infraestrutura e metodologias que consideramos necessárias para viabilizar o desenvolvimento colaborativo de instrumentos científicos e educacionais abertos em escala até então vista apenas em projetos de bens imateriais como a Wikipédia e o sistema operacional GNU/Linux. Iniciamos com uma breve reflexão sobre os impactos das tecnologias digitais na circulação da informação, do conhecimento e da cultura e apontamos os benefícios dos conceitos de liberdade e abertura do conhecimento aplicados à ciência, tecnologia e educação. Em seguida apresentamos o *hardware* aberto e livre (HAL) como o passo eminente na evolução do desenvolvimento colaborativo de tecnologias. Fazendo uma análise dos conceitos, apontamos para a infraestrutura e metodologias que consideramos necessárias para viabilizar o desenvolvimento colaborativo de instrumentos científicos e educacionais abertos em escala até então vista apenas em projetos de obras imateriais como a Wikipédia e o sistema operacional GNU/Linux.
Descrevemos como estes conceitos são integrados como princípios no Centro de Tecnologia Acadêmica visando a atualização da academia nos modos de produção, gestão e disseminação do conhecimento. Por fim, apresentamos alguns exemplos de instrumentos abertos desenvolvidos no CTA, juntamente com reflexões sobre o papel que os princípios adotados pelo Centro têm para a formação dos alunos e o impacto que seus projetos podem ter na sociedade pela integração natural com a pesquisa e extensão universitárias. Descrevemos como estes conceitos são integrados como princípios no Centro de Tecnologia Acadêmica visando a renovação da academia nos modos de produção, gestão e disseminação do conhecimento. Por fim, apresentamos alguns exemplos de instrumentos abertos desenvolvidos no CTA, juntamente com reflexões sobre o papel que os princípios adotados pelo Centro têm para a formação dos alunos e o impacto que seus projetos podem ter na sociedade pela integração natural com a pesquisa e extensão universitárias.
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**Rafael Pezzi, Heitor Carpes Marques Fernandes, Marina Pinto Pizarro de Freitas, Leonardo Sehn Alves, Pedro Terra, Renan Bohrer da Silva, Jan Luc dos Santos Tavares** **Rafael Pezzi, Heitor Carpes Marques Fernandes, Marina Pinto Pizarro de Freitas, Leonardo Sehn Alves, Pedro Terra, Renan Bohrer da Silva, Jan Luc dos Santos Tavares**
Centro de Tecnologia Acadêmica, Instituto de Física da UFRGS. Av. Bento Gonçalves, 9500. Porto Alegre, RS, Brasil *Centro de Tecnologia Acadêmica, Instituto de Física da UFRGS. Av. Bento Gonçalves, 9500. Porto Alegre, RS, Brasil*
**Rafael Vasques Brandão** **Rafael Vasques Brandão**
Centro de Tecnologia Acadêmica Jr. do Colégio de Aplicação da UFRGS . Av. Bento Gonçalves, 9500. Porto Alegre, RS, Brasil *Centro de Tecnologia Acadêmica Jr. do Colégio de Aplicação da UFRGS . Av. Bento Gonçalves, 9500. Porto Alegre, RS, Brasil*
Acreditamos que, a fim de suprir as necessidades atuais da humanidade sem prejudicar as gerações futuras, é preciso que se desenvolva uma cultura de ampla colaboração e de continuidade do conhecimento. Por isso, o Centro de Tecnologia Acadêmica do Instituto de Física da UFRGS (CTA IF/UFRGS) foi criado com base nos princípios da cultura livre, utilizando e desenvolvendo conhecimento e tecnologias livres e abertas. Estas são tecnologias onde os usuários possuem as liberdades de seu uso, estudo, modificação e distribuição, garantindo autonomia no aprendizado, no uso, no desenvolvimento e na disseminação dessas tecnologias. Este artigo justifica a escolha das tecnologias livres e abertas e das práticas relacionadas, apresentando como as possibilidades de criação, uso e disseminação do conhecimento geradas pela tecnologia digital, que embasam a cultura digital, estão sendo utilizadas e aprimoradas no CTA IF/UFRGS. Acreditamos que, a fim de suprir as necessidades atuais da humanidade sem prejudicar as gerações futuras, é preciso que se desenvolva uma cultura de ampla colaboração e de continuidade do conhecimento. Por isso, o Centro de Tecnologia Acadêmica do Instituto de Física da UFRGS (CTA IF/UFRGS) foi criado com base nos princípios da cultura livre, utilizando e desenvolvendo conhecimento e tecnologias livres e abertas. Estas são tecnologias onde os usuários possuem as liberdades de seu uso, estudo, modificação e distribuição, garantindo autonomia no aprendizado, no uso, no desenvolvimento e na disseminação dessas tecnologias. Este artigo justifica a escolha das tecnologias livres e abertas e das práticas relacionadas, apresentando como as possibilidades de criação, uso e disseminação do conhecimento geradas pela tecnologia digital, que embasam a cultura digital, estão sendo utilizadas e aprimoradas no CTA IF/UFRGS.
Iniciamos com uma breve reflexão sobre os impactos das tecnologias digitais na circulação da informação, do conhecimento e da cultura e apontamos os benefícios dos conceitos de liberdade e abertura do conhecimento aplicados à ciência, tecnologia e educação. Em seguida apresentamos o *hardware* aberto e livre (HAL) como o passo eminente na evolução do desenvolvimento colaborativo de tecnologias. Fazendo uma análise dos conceitos, apontamos para a infraestrutura e metodologias que consideramos necessárias para viabilizar o desenvolvimento colaborativo de instrumentos científicos e educacionais abertos em escala até então vista apenas em projetos de bens imateriais como a Wikipédia e o sistema operacional GNU/Linux. Iniciamos com uma breve reflexão sobre os impactos das tecnologias digitais na circulação da informação, do conhecimento e da cultura e apontamos os benefícios dos conceitos de liberdade e abertura do conhecimento aplicados à ciência, tecnologia e educação. Em seguida apresentamos o *hardware* aberto e livre (HAL) como o passo eminente na evolução do desenvolvimento colaborativo de tecnologias. Fazendo uma análise dos conceitos, apontamos para a infraestrutura e metodologias que consideramos necessárias para viabilizar o desenvolvimento colaborativo de instrumentos científicos e educacionais abertos em escala até então vista apenas em projetos de obras imateriais como a Wikipédia e o sistema operacional GNU/Linux.
Descrevemos como estes conceitos são integrados como princípios no Centro de Tecnologia Acadêmica visando a atualização da academia nos modos de produção, gestão e disseminação do conhecimento. Por fim, apresentamos alguns exemplos de instrumentos abertos desenvolvidos no CTA, juntamente com reflexões sobre o papel que os princípios adotados pelo Centro têm para a formação dos alunos e o impacto que seus projetos podem ter na sociedade pela integração natural com a pesquisa e extensão universitárias. Descrevemos como estes conceitos são integrados como princípios no Centro de Tecnologia Acadêmica visando a renovação da academia nos modos de produção, gestão e disseminação do conhecimento. Por fim, apresentamos alguns exemplos de instrumentos abertos desenvolvidos no CTA, juntamente com reflexões sobre o papel que os princípios adotados pelo Centro têm para a formação dos alunos e o impacto que seus projetos podem ter na sociedade pela integração natural com a pesquisa e extensão universitárias.
## 1. A era da informação e a academia contemporânea ## 1. A era da informação e a academia contemporânea
Diversas abordagens já foram utilizadas para analisar os impactos da tecnologia da informação na sociedade contemporânea. Desde questões epistemológicas como vistas pela perspectiva da Ecologia Cognitiva, conceito cunhado por Pierre Lévy (LÉVY, 1993), até seus impactos na economia, sociedade e cultura como postos por Manuel Castells(CASTELLS, 1999) e Yonchai Benkler(BENKLER, 2006). Essas reflexões contribuem para o esclarecimento da profundidade do impacto das novas tecnologias da informação e comunicação para a humanidade. Diversas abordagens já foram utilizadas para analisar os impactos da tecnologia da informação na sociedade contemporânea. Desde questões epistemológicas como vistas pela perspectiva da Ecologia Cognitiva, conceito cunhado por Pierre Lévy (LÉVY, 1993), até seus impactos na economia, sociedade e cultura como postos por Manuel Castells(CASTELLS, 1999) e Yonchai Benkler (BENKLER, 2006). Essas reflexões contribuem para a compreensão da profundidade do impacto das novas tecnologias da informação e comunicação para a humanidade.
No que se refere à academia, o surgimento de novos referenciais podem ser identificados em dois movimentos complementares, o dos Recursos Educacionais Abertos (SANTANA; ROSSINI; PRETTO, 2013) (REA) e o movimento pela ciência aberta. Sarita Albagli descreve o segundo da seguinte maneira(ALBAGLI, 2015): No que se refere à academia, o surgimento de novos referenciais podem ser identificados em dois movimentos complementares, o dos Recursos Educacionais Abertos (SANTANA; ROSSINI; PRETTO, 2013) (REA) e o movimento pela ciência aberta. Sarita Albagli descreve o segundo da seguinte maneira(ALBAGLI, 2015):
> "O movimento pela ciência aberta deve ser pensado no contexto dos movimentos sociais que emergem em meio a mudanças nas condições de produção e circulação da informação, do conhecimento e da cultura, e que vêm desestabilizando arcabouços epistemológicos e institucionais vigentes. Trata-se de refletir sobre os desafios que essas mudanças trazem às dinâmicas científicas, seus valores e práticas, e sobre os novos olhares que se impõem para melhor compreender e lidar com tais desafios." > "O movimento pela ciência aberta deve ser pensado no contexto dos movimentos sociais que emergem em meio a mudanças nas condições de produção e circulação da informação, do conhecimento e da cultura, e que vêm desestabilizando arcabouços epistemológicos e institucionais vigentes. Trata-se de refletir sobre os desafios que essas mudanças trazem às dinâmicas científicas, seus valores e práticas, e sobre os novos olhares que se impõem para melhor compreender e lidar com tais desafios."
...@@ -26,7 +26,7 @@ A universidade, definida como o "local de domínio e cultivo do saber humano" [^ ...@@ -26,7 +26,7 @@ A universidade, definida como o "local de domínio e cultivo do saber humano" [^
Por mais que a academia se mantenha em posição de destaque pelo monopólio de emissão de diplomas e títulos, a capacidade de atuação profissional dos egressos cada vez mais precisa ser complementada por formação extra-acadêmica, uma vez que a formação tradicional das universidades mantém-se alheia às novas dinâmicas do conhecimento. Se, por um lado, as dinâmicas sociais e econômicas têm respondido aos novos meios de produção e disseminação do conhecimento advindos da tecnologia da informação, por outro, a academia tem se mostrado mais lenta para adaptar-se às inovações nas suas dinâmicas produtivas. Observa-se um *modus operandi* no qual as limitações das ferramentas e métodos do passado são artificialmente impostas às novas, sejam pelas políticas vigentes ou pelos vícios da cultura institucional. Isto é, substituem-se ferramentas para realizar as mesmas tarefas: a máquina de escrever por um editor de texto, o quadro negro por um projetor multimídia, ou a sala de aula tradicional por uma sala de aula virtual, igualmente fechada. Por mais que a academia se mantenha em posição de destaque pelo monopólio de emissão de diplomas e títulos, a capacidade de atuação profissional dos egressos cada vez mais precisa ser complementada por formação extra-acadêmica, uma vez que a formação tradicional das universidades mantém-se alheia às novas dinâmicas do conhecimento. Se, por um lado, as dinâmicas sociais e econômicas têm respondido aos novos meios de produção e disseminação do conhecimento advindos da tecnologia da informação, por outro, a academia tem se mostrado mais lenta para adaptar-se às inovações nas suas dinâmicas produtivas. Observa-se um *modus operandi* no qual as limitações das ferramentas e métodos do passado são artificialmente impostas às novas, sejam pelas políticas vigentes ou pelos vícios da cultura institucional. Isto é, substituem-se ferramentas para realizar as mesmas tarefas: a máquina de escrever por um editor de texto, o quadro negro por um projetor multimídia, ou a sala de aula tradicional por uma sala de aula virtual, igualmente fechada.
A inserção das novas dinâmicas informacionais na universidade não é trival; requer a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias acadêmicas para atualizar a universidade. O Centro de Tecnologia Acadêmica (CTA) do IF/UFRGS foi criado para ser um laboratório de criação e experimentação destas tecnologias e promover a sua disseminação para além da academia, de forma livre e colaborativa. Surge também para integrar os estudantes do curso recentemente criado de Engenharia Física com as atividades de ensino, pesquisa e extensão da universidade [^CTA-boas-vindas]. Atualmente pode ser considerado um centro interdisciplinar com alunos de diversos cursos. A inserção das novas dinâmicas informacionais na universidade não é trival; requer a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias acadêmicas para atualizar a universidade. O Centro de Tecnologia Acadêmica (CTA) do IF/UFRGS foi criado para ser um laboratório de criação e experimentação destas tecnologias e promover a sua disseminação para além da academia de forma livre e colaborativa. Surge também para integrar os estudantes do curso recentemente criado de Engenharia Física com as atividades de ensino, pesquisa e extensão da universidade [^CTA-boas-vindas]. Atualmente, é um centro interdisciplinar com alunos de diversos cursos.
### 1.1 Tecnologias acadêmicas ### 1.1 Tecnologias acadêmicas
...@@ -35,7 +35,7 @@ As tecnologias acadêmicas desenvolvidas pelo CTA podem ser separadas em duas ca ...@@ -35,7 +35,7 @@ As tecnologias acadêmicas desenvolvidas pelo CTA podem ser separadas em duas ca
1. tecnologias meio 1. tecnologias meio
2. tecnologias fim 2. tecnologias fim
As tecnologias meio são as técnicas, métodos e ferramentas utilizadas como meio da academia atingir seus objetivos. São aquelas para gestão acadêmica, comunicação interna e externa, organização de grupos e de comunidades, enfim, têm o objetivo de perpetuar a dinâmica acadêmica, registros e a memória, dando continuidade à cultura institucional. São tecnologias utilizadas para gestão de projetos, publicação de resultados, canais de comunicação interno e com a comunidade externa. Tipicamente podem ser aplicadas com poucos ajustes por todas as áreas acadêmicas. As tecnologias meio são as técnicas, métodos e ferramentas utilizadas como meio da academia atingir seus objetivos. São aquelas para gestão acadêmica e de projetos, publicação de resultados, canais de comunicação interna e externa, organização de grupos e de comunidades, enfim, têm o objetivo de perpetuar a dinâmica acadêmica, registros e a memória, dando continuidade à cultura institucional. Tipicamente podem ser aplicadas com poucos ajustes por todas as áreas acadêmicas.
A categoria das tecnologias fim são os métodos, processos e instrumentos científicos desenvolvidos e utilizados nos laboratórios de pesquisa e laboratórios didáticos de ensino. São tecnologias específicas para cada área do conhecimento. A categoria das tecnologias fim são os métodos, processos e instrumentos científicos desenvolvidos e utilizados nos laboratórios de pesquisa e laboratórios didáticos de ensino. São tecnologias específicas para cada área do conhecimento.
...@@ -43,12 +43,12 @@ O Centro de Tecnologia Acadêmica IF/UFRGS atua em ambas as frentes. As tecnolog ...@@ -43,12 +43,12 @@ O Centro de Tecnologia Acadêmica IF/UFRGS atua em ambas as frentes. As tecnolog
### 1.2 A liberdade e abertura do conhecimento ### 1.2 A liberdade e abertura do conhecimento
A fim de tornar natural o princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão univesitárias e maximizar o potencial de disseminação das tecnologias utilizadas e desenvolvidas pelo CTA, foram tomados como princípios do Centro aqueles presentes nas definições de abertura e liberdade do conhecimento. São modalidades de conhecimento que exploram profundamente as possibilidades advindas das tecnologias digitais. É uma abordagem que estimula a participação colaborativa no empreendimento acadêmico e estimula uma competição que recompense a capacidade de inovação e não o acesso aos meios(ABDO, 2015). Ao mesmo tempo promove a extensão, vista como a interação da universidade com a sociedade, pela remoção de barreiras à disseminação destas tecnologias para além do ambiente acadêmico, podendo atingir o ensino em todos os níveis assim como atividades comerciais, de serviços e industriais, sem discriminação ou favoritismo. Isto ocorre mesmo tempo em que atualiza a prática acadêmica às tendências, aos princípios e preceitos de transparência que são esperados de instituições mantidas com ou que recebem recursos públicos. A fim de tornar natural o princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão univesitárias e maximizar o potencial de disseminação das tecnologias utilizadas e desenvolvidas pelo CTA, foram tomados como princípios do Centro aqueles presentes nas definições de abertura e liberdade do conhecimento. São modalidades de conhecimento que exploram profundamente as possibilidades advindas das tecnologias digitais. É uma abordagem que estimula a participação colaborativa no empreendimento acadêmico e estimula uma competição que recompense a capacidade de inovação e não o acesso aos meios (ABDO, 2015). Ao mesmo tempo promove a extensão, vista como a interação da universidade com a sociedade, pela remoção de barreiras à disseminação destas tecnologias para além do ambiente acadêmico, podendo atingir o ensino em todos os níveis assim como atividades comerciais, de serviços, e industriais, sem discriminação ou favoritismo. Isto ocorre ao mesmo tempo em que adequa a prática acadêmica às tendências, aos princípios e preceitos de transparência que são esperados de instituições científicas e, especialmente, as mantidas com ou que recebem recursos públicos.
Ao lembrar que as tecnologias têm impacto direto na vida cotidiano e no futuro, cabe apontar também que as tecnologias livres se enquadram naturalmente nas propriedades de transferência de tecnologia para adaptação às mudanças climáticas. Segundo o relatório de 2009 elaborado pelo grupo especialista de transferência de tecnologia da Convenção Quadro de Mudanças Climáticas das Nações Unidas[^UNFCCC-2009], a transferência de tecnologias de adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas deve prover ao recipiente a capacidade para: Ao lembrar que as tecnologias têm impacto direto na vida cotidiana e no futuro, cabe apontar também que as tecnologias livres se enquadram naturalmente nas propriedades de transferência de tecnologia para adaptação às mudanças climáticas. Segundo o relatório de 2009 elaborado pelo grupo especialista de transferência de tecnologia da Convenção Quadro de Mudanças Climáticas das Nações Unidas[^UNFCCC-2009], a transferência de tecnologias de adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas deve prover ao recipiente a capacidade para:
* Instalar, operar, manter e reparar as tecnologias * Instalar, operar, manter e reparar as tecnologias;
* Produzir versões de custo reduzido das tecnologias * Produzir versões de custo reduzido das tecnologias;
* Adaptar as tecnologias aos mercados e circunstâncias domésticas; * Adaptar as tecnologias aos mercados e circunstâncias domésticas;
* Desenvolver novas tecnologias. * Desenvolver novas tecnologias.
...@@ -60,7 +60,7 @@ Também foi demonstrado que o surgimento de máquinas de fabricação digital de ...@@ -60,7 +60,7 @@ Também foi demonstrado que o surgimento de máquinas de fabricação digital de
### 1.3 Definições de liberdade e abertura de conhecimento ### 1.3 Definições de liberdade e abertura de conhecimento
São diversas as definições e declarações que foram criadas para se referir à liberdade do conhecimento. É adequado afirmar que a raiz filosófica que embasa os atuais movimentos de cultura livre e abertura do conhecimento remonta ao movimento Software Livre e ao projeto GNU[^GNU], iniciado por Richard Stallman na década de 80. Stallman definiu *software* livre [^SL] em Fevereiro de 1986 e esta definição é mantida atualmente pela Free Software Foundation. Stallman também escreveu a primeira licença de *software* livre, a General Public Licence [^GPL]. Fica entendido que: São diversas as definições e declarações que foram criadas para se referir à liberdade do conhecimento. É adequado afirmar que uma raiz filosófica que embasa os atuais movimentos de cultura livre e abertura do conhecimento remonta ao movimento Software Livre e ao projeto GNU[^GNU], iniciado por Richard Stallman na década de 80. Stallman definiu *software* livre [^SL] em Fevereiro de 1986 e esta definição é mantida atualmente pela Free Software Foundation. Stallman também escreveu a primeira licença de *software* livre, a General Public Licence [^GPL]. Fica entendido que:
> Por “*software* livre” devemos entender aquele *software* que respeita a liberdade e senso de comunidade dos usuários. Grosso modo, **os usuários possuem a liberdade de executar, copiar, distribuir, estudar, mudar e melhorar o *software***. Assim sendo, “*software* livre” é uma questão de liberdade, não de preço. > Por “*software* livre” devemos entender aquele *software* que respeita a liberdade e senso de comunidade dos usuários. Grosso modo, **os usuários possuem a liberdade de executar, copiar, distribuir, estudar, mudar e melhorar o *software***. Assim sendo, “*software* livre” é uma questão de liberdade, não de preço.
Em 5 de Julho de 1997 a comunidade de desenvolvedores da distribuição GNU/Linux Debian ratificou orientações Debian para Software Livre [^DEBIAN] especificando os critérios para o *software* livre que é aceito na distribuição. Mais tarde as orientações Debian para *software* livre foram utilizadas como base para a definição de *software* de código aberto (*open source definition*) [^OSD], buscando utilizar linguagem mais amena para maior disseminação do termo em meios mais conservadores. Richard Stallman apontou que o termo *software* de código aberto deve ser evitado [^OSD_Misses], enquanto Bruce Perens explicou como se deu esta definição em um capítulo do livro "*Open Sources: Voices from the Open Source Revolution*" (PERENS, 1999). Em 5 de Julho de 1997 a comunidade de desenvolvedores da distribuição GNU/Linux Debian ratificou orientações Debian para Software Livre [^DEBIAN] especificando os critérios para o *software* livre que é aceito na distribuição. Mais tarde as orientações Debian para *software* livre foram utilizadas como base para a definição de *software* de código aberto (*open source definition*) [^OSD], buscando utilizar linguagem mais amena para maior disseminação do termo em meios mais conservadores. Richard Stallman apontou que o termo *software* de código aberto deve ser evitado [^OSD_Misses], enquanto Bruce Perens explicou como se deu esta definição em um capítulo do livro "*Open Sources: Voices from the Open Source Revolution*" (PERENS, 1999).
...@@ -83,9 +83,9 @@ Esta definição é de caráter geral e expande as quatro liberdades fundamentai ...@@ -83,9 +83,9 @@ Esta definição é de caráter geral e expande as quatro liberdades fundamentai
#### 1.3.2 A definição de Hardware Aberto e Livre (HAL) #### 1.3.2 A definição de Hardware Aberto e Livre (HAL)
A comunidade de *hardware* aberto e livre se reuniu em meados de 2010 para criar uma definição para o Open Source Hardware [^OSHWDef], que aqui é traduzida como Definicão de Hardware Aberto e Livre. A definição, na sua versão 1.0 inicia com uma declaração de princípios que podem ser traduzidos da seguinte maneira: A comunidade de *hardware* aberto e livre se reuniu em meados de 2010 para criar uma definição para o Open Source Hardware [^OSHWDef], que aqui é traduzida como Definição de Hardware Aberto e Livre. A definição, na sua versão 1.0 inicia com uma declaração de princípios que podem ser traduzidos da seguinte maneira:
> Open source *hardware* é o *hardware* cujos projetos são disponibilizados publicamente de modo que qualquer um possa estudar, modificar, distribuir, fabricar e vender o projeto ou o *hardware* baseado no projeto. A fonte do *hardware*, o projeto do qual ele é fabricado, é disponibilizado no formato mais adequado para que nele sejam feitas modificações. Idealmente, *hardware* de código aberto utiliza componentes e materiais facilmente acessíveis, processos padrões, infraestrutura aberta, conteúdo irrestrito, e ferramentas de desenho livres para maximizar a possibilidade dos indivíduos fazerem e utilizarem o *hardware*. *Hardware* de código aberto dá às pessoas a liberdade de controlar a sua tecnologia enquanto compartilham conhecimento e encoraja o comércio através do compartilhamento aberto dos projetos. > *Open source hardware* é o *hardware* cujos projetos são disponibilizados publicamente de modo que qualquer um possa estudar, modificar, distribuir, fabricar e vender o projeto ou o *hardware* baseado no projeto. A fonte do *hardware*, o projeto do qual ele é fabricado, é disponibilizado no formato mais adequado para que nele sejam feitas modificações. Idealmente, *hardware* de código aberto utiliza componentes e materiais facilmente acessíveis, processos padrões, infraestrutura aberta, conteúdo irrestrito, e ferramentas de desenho livres para maximizar a possibilidade dos indivíduos fazerem e utilizarem o *hardware*. *Hardware* de código aberto dá às pessoas a liberdade de controlar a sua tecnologia enquanto compartilham conhecimento e encoraja o comércio através do compartilhamento aberto dos projetos.
**Esclarecimento: o que é *hardware*?** **Esclarecimento: o que é *hardware*?**
...@@ -109,15 +109,15 @@ No que se refere ao *software* utilizado para projetar o *hardware*, este surge ...@@ -109,15 +109,15 @@ No que se refere ao *software* utilizado para projetar o *hardware*, este surge
Sem a disponibilidade de tal infraestrutura observamos um modelo centralizado de desenvolvimentos de projetos de *hardware* aberto onde o desenvolvimento é realizado por grandes contribuições realizadas por poucos indivíduos. Sem a disponibilidade de tal infraestrutura observamos um modelo centralizado de desenvolvimentos de projetos de *hardware* aberto onde o desenvolvimento é realizado por grandes contribuições realizadas por poucos indivíduos.
A seguir apresentamos a nossa visão de práticas e infraestrutura necessária para o desenvolvimento aberto e colaborativo de Tecnologias Acadêmicas e HAL. A seguir apresentamos a nossa visão de práticas e infraestrutura necessárias para o desenvolvimento aberto e colaborativo de Tecnologias Acadêmicas e HAL.
### 1.5 Hiperobjetos ### 1.5 Hiperobjetos
Se por um lado diversas vertentes de abertura e liberdade do conhecimento surgiram a partir dos ideais de *software* livre, por outro, estas diferentes vertentes têm alguma dificuldade em encontrar um ponto comum de atuação. Por exemplo, muitos entusiastas de *hardware* aberto e livre não necessariamente prezam pelo uso de *software* livre para a realização de seus projetos, assim como é comum defensores de recursos educacionais abertos utilizarem plataformas proprietárias para produzir e distribuir seus materiais didáticos sob licenças permissivas. A fim de construir uma base conceitual para o ponto em comum entre todas as vertentes de conhecimento aberto, do *software*, aos materiais multimídias e os equipamentos, foi criado o conceito de hiperobjeto (PEZZI, 2015). Hiperobjeto pode ser entendido como a interseção entre *hardware* livre, *software* livre e documentação livre, ou seja, é um objeto que foi criado com ferramentas livres, pode ser utilizado com *software* livre e sua documentação é livre. A documentação livre é toda a documentação acerca do objeto que for distribuída sob licença permissiva, formatos abertos e construídas com *software* livre. Ela pode incluir também manuais de uso, guias de atividades e aplicações em contextos de educação e ciência aberta. Isto é, a mesma integra ao hiperobjeto todo o material produzido relacionado ao hiperobjeto que foi disponibilizado pelos autores em conformidade com as definições de obras culturais livres e de conhecimento aberto [^esc]. Se por um lado diversas vertentes de abertura e liberdade do conhecimento surgiram a partir dos ideais de *software* livre, por outro, estas diferentes vertentes têm alguma dificuldade em encontrar um ponto comum de atuação. Por exemplo, muitos entusiastas de *hardware* aberto e livre não necessariamente prezam pelo uso de *software* livre para a realização de seus projetos, assim como é comum defensores de recursos educacionais abertos utilizarem plataformas proprietárias para produzir e distribuir seus materiais didáticos sob licenças permissivas. A fim de construir uma base conceitual para o ponto em comum entre todas as vertentes de conhecimento aberto, do *software* aos materiais multimídias e os equipamentos, foi criado o conceito de hiperobjeto (PEZZI, 2015). Hiperobjeto pode ser entendido como a interseção entre *hardware* livre, *software* livre e documentação livre, ou seja, é um objeto que foi criado com ferramentas livres, pode ser utilizado com *software* livre e sua documentação é livre. A documentação livre é toda a documentação acerca do objeto que for distribuída sob licença permissiva, formatos abertos e construída com *software* livre. Ela pode incluir também manuais de uso, guias de atividades e aplicações em contextos de educação e ciência aberta. Isto é, a mesma integra ao hiperobjeto todo o material produzido relacionado ao hiperobjeto que foi disponibilizado pelos autores em conformidade com as definições de obras culturais livres e de conhecimento aberto [^esc].
![Hiperobjetos](./figuras/hiperobjeto.png) ![Hiperobjetos](./figuras/hiperobjeto.png)
Outro ponto de destaque com relação aos princípios declarados na definição de *hardware* aberto refere-se à infraestrutura necessária para a fabricação do instrumento. A infraestrutura ideal para a fabricação de instrumentos livres são máquinas de fabricação digital, também chamadas de máquinas de fabricação personalizadas, e estão em pleno desenvolvimento. O conjunto destas integradas com uma estação de desenho e projetos dos componentes é chamado de **Bancada dos Hiperobjetos**. Outro ponto de destaque com relação aos princípios declarados na definição de *hardware* aberto e livre refere-se à infraestrutura necessária para a fabricação do instrumento. A infraestrutura ideal para a fabricação de instrumentos livres são máquinas de fabricação digital, também chamadas de máquinas de fabricação personalizadas, e estão em pleno desenvolvimento. O conjunto destas, integradas com uma estação de desenho e projetos dos componentes, é chamado de **Bancada dos Hiperobjetos**.
__Notas:__ __Notas:__
...@@ -151,11 +151,11 @@ __Notas:__ ...@@ -151,11 +151,11 @@ __Notas:__
## 2. Infraestrutura e práticas para expansão do conhecimento ## 2. Infraestrutura e práticas para expansão do conhecimento
A integração dos princípios apresentados na seção anterior às atividades do ambiente acadêmico traz vantagens ao mesmo tempo em que cria novas oportunidades e desafios. É necessária a criação e adaptação de infraestrutura e práticas para potencializar a expansão do conhecimento acadêmico. Nasta seção destacamos a documentação como prática essencial para a execução de um projeto e as ferramentas para a comunicação e memória de grupos e comunidades envolvidas em projetos. Além disso, apresentamos a bancada dos hiperobjetos como infraestrutura aberta para viabilizar a construção dos HAL em sua forma ideal. A integração dos princípios apresentados na seção anterior às atividades do ambiente acadêmico traz vantagens ao mesmo tempo em que cria novas oportunidades e desafios. É necessária a criação e adaptação de infraestrutura e práticas para potencializar a expansão do conhecimento acadêmico. Nesta seção destacamos a documentação como prática essencial para a execução de um projeto e as ferramentas para a comunicação e memória de grupos e comunidades envolvidas em projetos. Além disso, apresentamos a bancada dos hiperobjetos como infraestrutura aberta para viabilizar a construção dos HAL em sua forma ideal.
### 2.1 Documentação de projetos ### 2.1 Documentação de projetos
A documentação tem um papel fundamental tanto no desenvolvimento quanto na reprodução de *hardware* desenvolvido em acordo com os princípios do *hardware* aberto e livre (HAL). Isto ocorre porque nestes projetos é sobre a documentação que incidem as diferentes licenças permissivas existente para o HAL, ou seja, a existência da documentação é o que torna o projeto um HAL. A documentação tem um papel fundamental tanto no desenvolvimento quanto na reprodução de *hardware* desenvolvido em acordo com os princípios do *hardware* aberto e livre (HAL). Isto ocorre porque nestes projetos é sobre a documentação que incidem as diferentes licenças permissivas existentes para o HAL, ou seja, a existência da documentação é o que torna o projeto um HAL.
Sob os aspectos de conteúdo, a documentação de um HAL não deve ser vista apenas como um manual de utilização mas sim como o projeto em si. Nela devem constar todos os detalhes do projeto incluindo informações sobre todas as partes e peças, tanto as usadas quanto as desenvolvidas, com especial atenção para os arquivos fonte destas últimas. Deve ser tomado o cuidado na devida atribuição aos respectivos autores e licenças de uso, como especificado nas definições apresentadas anteriormente. Além da disponibilização dos arquivos fontes, a documentação deve ser clara quanto aos procedimetos envolvidos na construção, utilização, reprodução e derivação dos projetos. Sob os aspectos de conteúdo, a documentação de um HAL não deve ser vista apenas como um manual de utilização mas sim como o projeto em si. Nela devem constar todos os detalhes do projeto incluindo informações sobre todas as partes e peças, tanto as usadas quanto as desenvolvidas, com especial atenção para os arquivos fonte destas últimas. Deve ser tomado o cuidado na devida atribuição aos respectivos autores e licenças de uso, como especificado nas definições apresentadas anteriormente. Além da disponibilização dos arquivos fontes, a documentação deve ser clara quanto aos procedimetos envolvidos na construção, utilização, reprodução e derivação dos projetos.
...@@ -167,13 +167,13 @@ Uma documentação de qualidade, incluindo a sua disponibilidade e reprodutibili ...@@ -167,13 +167,13 @@ Uma documentação de qualidade, incluindo a sua disponibilidade e reprodutibili
A comunicação e a memória dos grupos e comunidades que se organizam em projetos no CTA é realizada pela apropriação das ferramentas utilizadas por projetos colaborativos e distribuidos bem sucedidos como por exemplo o kernel Linux e a Wikipédia. A comunicação e a memória dos grupos e comunidades que se organizam em projetos no CTA é realizada pela apropriação das ferramentas utilizadas por projetos colaborativos e distribuidos bem sucedidos como por exemplo o kernel Linux e a Wikipédia.
Naturalmente, um grupo que se propõe a fomentar e se adequar aos novos paradigmas culturais alinhados com os conceitos de abertura mencionados, acaba se diferenciando também em outros aspectos de sua estrutura organizacional. Citamos a seguir algumas das ferramentas e práticas utilizadas usualmente no CTA. Naturalmente, um grupo que se propõe a fomentar e se adequar aos novos paradigmas culturais alinhados com os conceitos de abertura que mencionamos, acaba se diferenciando também em outros aspectos de sua estrutura organizacional. Citamos a seguir algumas das ferramentas e práticas utilizadas no CTA.
__*Website* para gestão e documentação de projetos__ __*Website* para gestão e documentação de projetos__
O *site* do CTA [^SiteCTA] conta atualmente com uma instância de um sistema de gestão de projetos chamado ChiliProject [^chiliproject], inspirado no Repositório de *Hardware* Aberto do CERN [^OHWR]. A partir da página inicial do *site*, o visitante tem acesso à diversas plataformas de registros utilizadas pelo grupo, sendo também convidado para participar delas. Pode ser encontrada a lista de fóruns, Wiki de suporte e lista de projetos destacados. Temos buscado a apresentação de uma página inicial clara, interessante e simples. Apesar dos grandes avanços no último ano, manter a organização de modo a destacar o conteúdo de acordo com a sua relevância tem se mostrado um desafio. O *site* do CTA [^SiteCTA] conta atualmente com uma instância de um sistema de gestão de projetos chamado ChiliProject [^chiliproject], inspirado no Repositório de *Hardware* Aberto do CERN [^OHWR]. A partir da página inicial do *site*, o visitante tem acesso a diversas plataformas de registros utilizadas pelo grupo, sendo também convidado para participar delas. Pode ser encontrada a lista de fóruns, Wiki de suporte e lista de projetos destacados. Temos buscado a apresentação de uma página inicial clara, interessante e simples. Apesar dos grandes avanços no último ano, manter a organização de modo a destacar o conteúdo de acordo com a sua relevância tem se mostrado um desafio.
O *site* é organizado sob projetos, cada um conténdo uma Wiki, sistema de tarefas, fórum, repositório de arquivos, entre outras funcionalidades que facilitam a organização de equipes de desenvolvimento bem como a estruturação de um espaço para comunicação entre todos os interessados no projeto. As funcionalidades podem ser atividadas e desativadas pelo mantenedor do projeto. O *site* é organizado sob projetos, cada um conténdo uma Wiki, sistema de tarefas, fórum, repositório de arquivos, entre outras funcionalidades que facilitam a organização de equipes de desenvolvimento bem como a estruturação de um espaço para comunicação entre todos os interessados no projeto. As funcionalidades podem ser ativadas e desativadas pelo mantenedor do projeto.
**Fóruns** **Fóruns**
...@@ -183,11 +183,11 @@ Cada projeto pode contar com fóruns para discussão *online*. Na utilização d ...@@ -183,11 +183,11 @@ Cada projeto pode contar com fóruns para discussão *online*. Na utilização d
Realizamos encontros semanais, em formato presencial, com a finalidade de colocar em contato os colaboradores do CTA e outras pessoas interessadas no nosso trabalho, integrando as pessoas, os projetos e as ideias que permeiam o Centro. Cada encontro é iniciado com uma apresentação de cunho variado. Podem ser expostos desenvolvimentos de trabalho dos membros da equipe como também ocorrem discussões organizacionais ou dos fundamentos e diretrizes de trabalho, palestras diversas, estudos de casos onde conhecemos trabalhos desenvolvidos externamente. As apresentações são tipicamente proferidas pelos participantes do CTA, porém, acontece frequentemente de convidados especiais ou vistantes dirigirem a apresentação semanal. Realizamos encontros semanais, em formato presencial, com a finalidade de colocar em contato os colaboradores do CTA e outras pessoas interessadas no nosso trabalho, integrando as pessoas, os projetos e as ideias que permeiam o Centro. Cada encontro é iniciado com uma apresentação de cunho variado. Podem ser expostos desenvolvimentos de trabalho dos membros da equipe como também ocorrem discussões organizacionais ou dos fundamentos e diretrizes de trabalho, palestras diversas, estudos de casos onde conhecemos trabalhos desenvolvidos externamente. As apresentações são tipicamente proferidas pelos participantes do CTA, porém, acontece frequentemente de convidados especiais ou vistantes dirigirem a apresentação semanal.
Cada reunião é gerida por um gestor encarregado de redigir e organizar a pauta, coordenar a reunião e elaborar o relato e encaminhamentos do encontro. Cada reunião tem sua pauta e seus encaminhamentos expostos no fórum de suporte, nos "Encontros Periódicos" [^encontros_CTA]. Nessa dinâmica de reunião, observamos como alguns pontos positivos os fatos de que os papéis de gestor e apresentador são rotativos, de modo que todos os participantes do CTA têm a oportunidade de assumir estes papéis num período de algumas semanas. Esta é uma forma garantir que todos adquiram experiência nestes papéis e é também a forma de distribuir a carga e tipo de trabalho entre os participantes. Assim, os assuntos expostos nas apresentações permanecem atualizados, de forma que os apresentadores adquirem maturidade na apresentação de seus temas e recebem sugestões para encaminhamentos futuros. Os encontros são abertos para a participação de todos os interessados e almejamos, no futuro, proporcionar a participação *online* das reuniões a fim de tornar a reunião semanal mais inclusiva. Cada reunião é gerida por um gestor encarregado de redigir e organizar a pauta, coordenar a reunião e elaborar o relato e encaminhamentos do encontro. As pautas e encaminhamentos de cada reunião são expostas no fórum de suporte, nos "Encontros Periódicos" [^encontros_CTA]. Nessa dinâmica de reunião, observamos como alguns pontos positivos os fatos de que os papéis de gestor e apresentador são rotativos, de modo que todos os participantes do CTA têm a oportunidade de assumir estes papéis num período de algumas semanas. Esta é uma forma garantir que todos adquiram experiência nestes papéis e é também a forma de distribuir a carga e tipo de trabalho entre os participantes. Assim, os assuntos expostos nas apresentações permanecem atualizados, de forma que os apresentadores adquirem maturidade na apresentação de seus temas e recebem sugestões para encaminhamentos futuros. Os encontros são abertos para a participação de todos os interessados e almejamos, no futuro, proporcionar a participação *online* das reuniões a fim de tornar a reunião semanal mais inclusiva.
__Lista de *e-mails*__ __Lista de *e-mails*__
Complementamos a comunicação *online* utilizando listas de *e-mails*. Alguns projetos possuem lista de *emails*, além das listas de projetos, possuímos uma lista geral e uma lista para assuntos internos. Para os interessados no CTA, a lista mais recomendada é a lista geral do CTA. Nesta lista costuma-se informar sobre eventos, sobre as reuniões e tópicos relevantes. A lista de assuntos internos é uma lista em que se discutem certas trivialidades cotidianas e tarefas em andamento. Complementamos a comunicação *online* utilizando listas de *e-mails*. Somente alguns projetos possuem lista de *emails*. Além das listas de projetos, possuímos uma lista geral e uma lista para assuntos internos. Para os interessados no CTA, a lista mais recomendada é a lista geral do CTA. Nesta lista costuma-se informar sobre eventos, sobre as reuniões e tópicos relevantes. A lista de assuntos internos é uma lista em que se discutem certas trivialidades cotidianas e tarefas em andamento.
**GitLab como gestor de repositórios git** **GitLab como gestor de repositórios git**
...@@ -195,7 +195,7 @@ O git é um dos mais importantes e poderosos sistemas de controle de versão di ...@@ -195,7 +195,7 @@ O git é um dos mais importantes e poderosos sistemas de controle de versão di
**Oficinas** **Oficinas**
O CTA realiza oficinas de introdução às ferramentas livres utilizadas para o desenvolvimento de seus projetos assim como oficinas específicas dos projetos. Possuímos uma página chamada "Portfólio de Oficinas" na qual listamos e registramos materiais e referências de algumas das oficinas ministradas de forma que podemos facilmente reproduzí-las e ministrá-las novamente [^portfolio]. Existe um especial cuidado para que o material disponibilizado tenha licenças permissivas e confecionado integralmente em *software* livre, permitindo a sua derivação. As oficinas são elementos catalisadores no compartilhamento do conhecimento produzido no CTA para a comunidade em geral, abrindo canais para a formação de uma comunidade consciente dos projetos desenvolvidos pelo Centro e engajada neles. O CTA realiza oficinas de introdução às ferramentas livres utilizadas para o desenvolvimento de seus projetos assim como oficinas específicas dos projetos. Possuímos uma página chamada "Portfólio de Oficinas" na qual listamos e registramos materiais e referências de algumas das oficinas ministradas de forma que podemos facilmente reproduzí-las e ministrá-las novamente [^portfolio]. Existe um especial cuidado para que o material disponibilizado tenha licenças permissivas e seja confeccionado integralmente em *software* livre, permitindo a sua derivação. As oficinas são elementos catalisadores no compartilhamento do conhecimento produzido no CTA para a comunidade em geral, abrindo canais para a formação de uma comunidade consciente dos projetos desenvolvidos pelo Centro e engajada neles.
### 2.3 Infraestrutura para o desenvolvimento de HAL: a Bancada dos hiperobjetos: ### 2.3 Infraestrutura para o desenvolvimento de HAL: a Bancada dos hiperobjetos:
...@@ -203,7 +203,7 @@ Identificando que a carência de infraestrutura aberta e ferramentas de desenho ...@@ -203,7 +203,7 @@ Identificando que a carência de infraestrutura aberta e ferramentas de desenho
Esta bancada é composta por i) um conjunto de máquinas de fabricação digital e tem por objetivo a materialização dos hiperobjetos e ii) as ferramentas digitais para desenho e simulação dos componentes de *hardware*. A intenção é que as máquinas da bancada sejam autoreplicantes, assim como o que ocorreu com a impressora 3D Reprap (JONES et al., 2011), pois esta liberdade estimula a inovação e a colaboração no desenvolvimento da própria bancada. Esta bancada é composta por i) um conjunto de máquinas de fabricação digital e tem por objetivo a materialização dos hiperobjetos e ii) as ferramentas digitais para desenho e simulação dos componentes de *hardware*. A intenção é que as máquinas da bancada sejam autoreplicantes, assim como o que ocorreu com a impressora 3D Reprap (JONES et al., 2011), pois esta liberdade estimula a inovação e a colaboração no desenvolvimento da própria bancada.
A bancada de hiperobjetos sendo desenvolvida com estes princípios visa a abrir o caminho para que boas práticas de desenvolvimento colaborativo se fixem na comunidade e, com isto, que padrões e parâmetros para o desenvolvimento de HAL sejam estabelecidos. Atualmente, o desenvolvimento de HAL apresenta dificulades devido à carência de *softwares* livres para CAD (*computer aided design*) com funcionalidades equivalentes às dos *software* proprietários para algumas áreas, dificultado a criação de hiperobjetos mais complexos, ou seja, para que os conceitos de liberdade necessários na elaboração de hiperobjetos sejam atingidos, o desenvolvimento de CADs livres de alto nível é essencial. A bancada de hiperobjetos sendo desenvolvida com estes princípios visa a abrir o caminho para que boas práticas de desenvolvimento colaborativo se fixem na comunidade e, com isto, que padrões e parâmetros para o desenvolvimento de HAL sejam estabelecidos. Atualmente, o desenvolvimento de HAL apresenta dificulades devido à carência de *softwares* livres para CAD (*computer aided design*) com funcionalidades equivalentes às dos *software* proprietários para algumas áreas, dificultado a criação de hiperobjetos mais complexos. Ou seja, para que os conceitos de liberdade necessários na elaboração de hiperobjetos sejam atingidos, o desenvolvimento de CADs livres de alto nível é essencial.
Recentemente, o projeto KiCad [^KiCAD] realizou um grande avanço nas possibilidades relacionadas ao desenvolvimento de circuitos eletrônicos ao disponibilizar um *software* livre de alto nível e desempenho comparável às alternativas proprietárias. Com isto, efetivamente viabilizou a comunicação livre de, e entre, projetos de circuitos eletrônicos. Ansiamos por outros programas CAD livres capazes atuar em outras áreas de engenharia como desenhos mecânicos. Recentemente, o projeto KiCad [^KiCAD] realizou um grande avanço nas possibilidades relacionadas ao desenvolvimento de circuitos eletrônicos ao disponibilizar um *software* livre de alto nível e desempenho comparável às alternativas proprietárias. Com isto, efetivamente viabilizou a comunicação livre de, e entre, projetos de circuitos eletrônicos. Ansiamos por outros programas CAD livres capazes atuar em outras áreas de engenharia como desenhos mecânicos.
...@@ -241,7 +241,7 @@ A dinâmica do CTA Jr. se dá da seguinte maneira: alguns projetos são escolhid ...@@ -241,7 +241,7 @@ A dinâmica do CTA Jr. se dá da seguinte maneira: alguns projetos são escolhid
Como há projetos de fato **desenvolvidos** — não apenas reproduzidos — pelo CTA Jr. (em alguns casos, diretamente em conjunto com o CTA), os alunos envolvidos nesses projetos aprendem na prática a lidar com e pensar sobre as questões em torno do conhecimento aberto, como documentação, uso de ferramentas abertas, tipos de licenças; tornando-os aptos não apenas ao uso de novas tecnologias, mas à apropriação efetiva destas tecnologias e capacitação ao trabalho colaborativo. O fato de estar produzindo conhecimento novo também serve como estímulo ao aprendizado; e até mesmo a documentação de projetos, tarefa comumente considerada enfadonha, pode se tornar incentivadora quando alunos da educação básica percebem que seu trabalho está disponibilizado e será usado pela comunidade lado a lado ao trabalho desenvolvido na universidade. Como há projetos de fato **desenvolvidos** — não apenas reproduzidos — pelo CTA Jr. (em alguns casos, diretamente em conjunto com o CTA), os alunos envolvidos nesses projetos aprendem na prática a lidar com e pensar sobre as questões em torno do conhecimento aberto, como documentação, uso de ferramentas abertas, tipos de licenças; tornando-os aptos não apenas ao uso de novas tecnologias, mas à apropriação efetiva destas tecnologias e capacitação ao trabalho colaborativo. O fato de estar produzindo conhecimento novo também serve como estímulo ao aprendizado; e até mesmo a documentação de projetos, tarefa comumente considerada enfadonha, pode se tornar incentivadora quando alunos da educação básica percebem que seu trabalho está disponibilizado e será usado pela comunidade lado a lado ao trabalho desenvolvido na universidade.
A criação de modelos computacionais em física utilizando a linguagem de programação Python/ Vpython [^modelagem] e o desenvolvimento de um braço mecânico simples (BRAMESIM) [^bramesim] e a sirene escolar concebida a pedido da direção da escola [^sirene] são exemplos de projetos inteiramente desenvolvidos no CTA Jr. A criação de modelos computacionais em física utilizando a linguagem de programação Python/ Vpython [^modelagem], o desenvolvimento de um braço mecânico simples (BRAMESIM) [^bramesim] e a sirene escolar concebida a pedido da direção da escola [^sirene] são exemplos de projetos inteiramente desenvolvidos no CTA Jr.
O projeto de criação de modelos computacionais de física utilizando o Python/Vpython tem como objetivo favorecer a aquisição de competências e concepções associadas à modelagem computacional de sistemas, processos e fenômenos da natureza por parte dos estudantes do Ensino Médio do CAp. Assim, a estratégia didática da modelagem científica, considerada como uma atividade de exploração, criação e validação de modelos cuja finalidade é compreender a realidade, permite aos estudantes do CAp vivenciar em primeira pessoa a atividade científica de construção de seus próprios modelos computacionais, criando um ambiente em que é possível estabelecer uma conexão entre o mundo abstrato e o mundo concreto, ajudando-o a dar significado ao que é estudado, por meio da conceitualização, da experimentação e, mais recentemente, da simulação. Para Pierre Lévy (LÉVY, 1993), “o conhecimento por simulação é sem dúvida um dos novos gêneros de saber que a ecologia cognitiva informatizada transporta”. Nesse contexto, o computador torna-se uma ferramenta indispensável no processo de alfabetização científica e na criação de modelos, pois permite a construção, a experimentação e a reflexão sobre o que é criado de modo interativo, colaborativo e dinâmico. Segundo Lévy (LÉVY, 1993), “um modelo digital, não é lido ou interpretado como um texto clássico, ele é geralmente explorado de forma interativa”. Desse modo, os modelos são corrigidos e aperfeiçoados através de constantes simulações. O projeto de criação de modelos computacionais de física utilizando o Python/Vpython tem como objetivo favorecer a aquisição de competências e concepções associadas à modelagem computacional de sistemas, processos e fenômenos da natureza por parte dos estudantes do Ensino Médio do CAp. Assim, a estratégia didática da modelagem científica, considerada como uma atividade de exploração, criação e validação de modelos cuja finalidade é compreender a realidade, permite aos estudantes do CAp vivenciar em primeira pessoa a atividade científica de construção de seus próprios modelos computacionais, criando um ambiente em que é possível estabelecer uma conexão entre o mundo abstrato e o mundo concreto, ajudando-o a dar significado ao que é estudado, por meio da conceitualização, da experimentação e, mais recentemente, da simulação. Para Pierre Lévy (LÉVY, 1993), “o conhecimento por simulação é sem dúvida um dos novos gêneros de saber que a ecologia cognitiva informatizada transporta”. Nesse contexto, o computador torna-se uma ferramenta indispensável no processo de alfabetização científica e na criação de modelos, pois permite a construção, a experimentação e a reflexão sobre o que é criado de modo interativo, colaborativo e dinâmico. Segundo Lévy (LÉVY, 1993), “um modelo digital, não é lido ou interpretado como um texto clássico, ele é geralmente explorado de forma interativa”. Desse modo, os modelos são corrigidos e aperfeiçoados através de constantes simulações.
...@@ -272,40 +272,40 @@ A maioria das atividades realizadas pelo CTA, tanto locais como as externas, nec ...@@ -272,40 +272,40 @@ A maioria das atividades realizadas pelo CTA, tanto locais como as externas, nec
O TropOS foi desenvolvido para que houvesse uniformidade nas versões dos *softwares* rodando nos *pendrives* disponibilizados tanto nas oficinas quanto nos laboratórios, permitindo que as soluções pudessem ser facilmente compartilhadas por todos durante o curso, por exemplo. Devido ao seu desenvolvimento ser razoavelmente genérico sem apresentar dependência em *hardware* específico para o seu funcionamento, espera-se que ao funcionar em um computador pessoal também funcione em outros. Com esta abordagem, é necessário manter um único sistema ao mesmo tempo em que existem muitos usuários para testá-la, tornado simples a verificação de problemas e o auxilio aos usuários. O TropOS foi desenvolvido para que houvesse uniformidade nas versões dos *softwares* rodando nos *pendrives* disponibilizados tanto nas oficinas quanto nos laboratórios, permitindo que as soluções pudessem ser facilmente compartilhadas por todos durante o curso, por exemplo. Devido ao seu desenvolvimento ser razoavelmente genérico sem apresentar dependência em *hardware* específico para o seu funcionamento, espera-se que ao funcionar em um computador pessoal também funcione em outros. Com esta abordagem, é necessário manter um único sistema ao mesmo tempo em que existem muitos usuários para testá-la, tornado simples a verificação de problemas e o auxilio aos usuários.
O TropOS é uma distribuição GNU/Linux baseada no Debian [^debian] feita especialmente para Laboratórios Pesquisa e Ensino. Esta distribuição acompanha pacotes específicos para atividades de pesquisa científica e ensino de física, astronomia, eletrônica, matemática, geografia, geologia e atividades artísticas. É um sistema operacional completo que pode ser utilizado sem a necessidade de instalação no computador, basta executá-lo através da inicialização do sistema a partir de *pendrive* inicializável. É ótimo para um primeiro contato com um sistema operacional livre sem a necessidade de instalá-lo e com a conveniência de permitir a instalação de mais programas.Todas as informações de como criar um *pendrive* com o TropOS ou até mesmo como criar uma nova versão personalizada do Debian estão disponíveis na Wiki do TropOS. Também, são disponibilizados fóruns e as demais estruturas comuns aos projetos mantidos pelo CTA. O TropOS é uma distribuição GNU/Linux baseada no Debian [^debian] feita especialmente para Laboratórios Pesquisa e Ensino. Esta distribuição acompanha pacotes específicos para atividades de pesquisa científica e ensino de física, astronomia, eletrônica, matemática, geografia, geologia e atividades artísticas. É um sistema operacional completo que pode ser utilizado sem a necessidade de instalação no computador, basta executá-lo através da inicialização do sistema a partir de *pendrive* inicializável. É ótimo para um primeiro contato com um sistema operacional livre sem a necessidade de instalá-lo e com a conveniência de permitir a instalação de mais programas.Todas as informações de como criar um *pendrive* com o TropOS ou até mesmo como criar uma nova versão personalizada do Debian estão disponíveis na Wiki do TropOS. Também são disponibilizados fóruns e as demais estruturas comuns aos projetos mantidos pelo CTA.
### 4.2 Fresadora PCI João-de-barro ### 4.2 Fresadora PCI João-de-barro
A primeira contribuição do CTA para as máquinas de fabricação digital da Bancada de Hiperobjetos consiste em uma máquina de prototipagem ou fabricação em pequena escala de placas de circuitos eletrônicos: a Fresadora PCI João-de-barro [^FJB]. Dada a existência de impressoras 3D de baixo custo, consideramos a fresadora de placas de circuito impresso (PCI) o próximo passo na evolção da bancada. Ela se enquadra em custo e nível de complexidade um pouco superior às impressoras 3D, mas bem inferior aos de CNC's de maior porte como aquelas para corte de peças metálicas, tais como engrenagens. A primeira contribuição do CTA para as máquinas de fabricação digital da Bancada de Hiperobjetos consiste em uma máquina de prototipagem ou fabricação em pequena escala de placas de circuitos eletrônicos: a Fresadora PCI João-de-barro [^FJB]. Dada a existência de impressoras 3D de baixo custo, consideramos a fresadora de placas de circuito impresso (PCI) o próximo passo no desenvolvimento da bancada. Ela se enquadra em custo e nível de complexidade um pouco superior às impressoras 3D, mas bem inferior aos de CNC's (do inglês *Computer Numeric Control*, ou controle numérico computadorizado) de maior porte como aquelas para corte de peças metálicas, tais como engrenagens.
Fresadoras equivalentes atualmente encontradas no mercado possuem um preço elevado, o que impossibilita que instituições de capacidade financeira mais modestas como escolas, institutos de pesquisa e pequenas oficinas possuam uma. O método convencional para a produção de placas de circuito impresso consiste na corrosão química da camada de cobre da placa seguida pela furação manual para fixação dos terminais dos componentes eletrônicos. É um processo lento e trabalhoso, de risco considerável, potencialmente nocivo ao meio ambiente, cuja complexidade pode comprometer a qualidade dos protótipos. Fresadoras equivalentes atualmente encontradas no mercado possuem um preço elevado, o que impossibilita que instituições de capacidade financeira mais modestas como escolas, institutos de pesquisa e pequenas oficinas possuam uma. O método convencional para a produção de placas de circuito impresso consiste na corrosão química da camada de cobre da placa seguida pela furação manual para fixação dos terminais dos componentes eletrônicos. É um processo lento e trabalhoso, de risco considerável, potencialmente nocivo ao meio ambiente, cuja complexidade pode comprometer a qualidade dos protótipos.
O baixo custo de fabricação da Fresadora PCI João-de-Barro, sua precisão e qualidade e seus atributos de HAL se apresenta como uma solução aos problemas apresentados. O projeto está disponível de maneira aberta e livre para a comunidade. Por ser um *hardware* aberto e livre (HAL), sua documentação está licenciada sob termos da licença de *hardware* aberto do CERN Ver. 1.2 [^CERN_OHWL], o que permite que qualquer interessado possa usar, estudar, fabricar, comercializar e modificar sua versão da Fresadora PCI João-de-Barro desde que respeite os termos da licença. Além disso, os *softwares* necessários para sua operação - KiCad, FlatCam, Universal G-Code Sender - são todos livres. O baixo custo de fabricação da Fresadora PCI João-de-Barro, sua precisão e qualidade e seus atributos de HAL se apresentam como uma solução aos problemas apresentados. O projeto está disponível de maneira aberta e livre para a comunidade. Por ser um *hardware* aberto e livre (HAL), sua documentação está licenciada sob termos da licença de *hardware* aberto do CERN Ver. 1.2 [^CERN_OHWL], o que permite que qualquer interessado possa usar, estudar, fabricar, comercializar e modificar sua versão da Fresadora PCI João-de-Barro desde que respeite os termos da licença. Além disso, os *softwares* necessários para sua operação - KiCad, FlatCam, Universal G-Code Sender - são todos livres.
A Fresadora PCI João-de-barro é uma máquina capaz de criar trilhas e realizar a furação em placas de circuito impresso para confecção de equipamentos eletrônicos através de comandos numéricos computadorizados (sigla CNC, do inglês *Computer Numeric Control*). Tais trilhas criam o isolamento necessário para que haja contato elétrico apenas entre componentes pré-determinados a serem posicionados e soldados posteriormente na placa de circuitos. Em analogia ao pássaro que constrói seu ninho e simboliza a ideia de liberdade, a Fresadora ganhou o nome de João-de-Barro, fazendo ainda menção à origem gaúcha da máquina. A Fresadora PCI João-de-barro é uma máquina capaz de criar trilhas e realizar a furação em placas de circuito impresso para confecção de equipamentos eletrônicos através de comandos numéricos computadorizados (sigla CNC). Tais trilhas criam o isolamento necessário para que haja contato elétrico apenas entre componentes pré-determinados a serem posicionados e soldados posteriormente na placa de circuitos. Em analogia ao pássaro que constrói seu ninho e simboliza a ideia de liberdade, a Fresadora ganhou o nome de João-de-Barro, fazendo ainda menção à origem gaúcha da máquina.
O seu desenvolvimento teve como objetivo projetar a máquna para que seja de fácil fabricação e manutenção, baixo custo, fácil obtenção das peças, sem comprometer sua qualidade. É robusta, com precisão de 12.5 micrômetros e área de trabalho de 200 mm x 150 mm. É capaz de fresar sua própria placa de controle, o que facilita seu processo de replicação. Agilizando e facilitando o processo de prototipagem, com ela foi possível produzir várias placas de diferentes projetos do CTA [^lista-placas], cujos projetos estão todos disponíveis como hiperobjetos. Após o lançamento da primeira versão, seu desenvolvimento continuou e pode ser acompanhado pelo fórum [^estado-atual]. O projeto de uma fresadora mais robusta para usinagem de materiais mais resistentes como plástico e até metais está sendo elaborada. O seu desenvolvimento teve como objetivo projetar a máquna para que seja de fácil fabricação e manutenção, baixo custo, fácil obtenção das peças, sem comprometer sua qualidade. É robusta, com precisão de 12.5 micrômetros e área de trabalho de 200 mm x 150 mm. É capaz de fresar sua própria placa de controle, o que facilita seu processo de replicação. Agilizando e facilitando o processo de prototipagem, com ela foi possível produzir várias placas de diferentes projetos do CTA [^lista-placas], cujos projetos estão todos disponíveis como hiperobjetos. Após o lançamento da primeira versão, seu desenvolvimento continua e pode ser acompanhado pelo fórum [^estado-atual]. O projeto de uma fresadora mais robusta para usinagem de materiais mais resistentes como plástico e até metais está sendo elaborada.
### 4.3 *Shield* Arduino Básico ### 4.3 *Shield* Arduino Básico
O Arduino é uma placa de prototipagem de eletrônicos de código aberto que tem popularizado o desenvolvimento de projetos digitais. Se mostrou uma porta de entrada para entusiastas interessados em eletrônica e programação, de modo que são usuais as oficinas de Arduino em eventos e feiras de tecnologias. O CTA oferece regularmente oficinas de introdução ao Arduino e seus participantes identificaram a familiarização com a *protoboard* e a montagem de circuitos eletrônicos simples como sendo a etapa limitate destas atividades, mesmo quando o foco era a programação do dispositivo. O Arduino é uma placa de prototipagem de eletrônicos de código aberto que tem popularizado o desenvolvimento de projetos digitais. Se mostrou uma porta de entrada para entusiastas interessados em eletrônica e programação, de modo que são usuais as oficinas de Arduino em eventos e feiras de tecnologias. O CTA oferece regularmente oficinas de introdução ao Arduino e seus participantes identificaram a familiarização com a *protoboard* e a montagem de circuitos eletrônicos simples como sendo a etapa limitante destas atividades, mesmo quando o foco era a programação do dispositivo.
Assim decidiu-se criar o Shield Arduino Básico [^Ard_basico] que consiste em um projeto de uma placa dedicada à introdução à programação para uso em oficinas de Arduino que dispunham de curtos períodos de tempo sem que necessitasse da montagem de um circuito eletrônico simples numa placa de ensaio (*protoboard*). A placa foi desenhada com o auxílio do *software* livre KiCAD epode ser confeccionada com a Fresadora PCI João-de-Barro. Assim decidiu-se criar o Shield Arduino Básico [^Ard_basico] que consiste em um projeto de uma placa dedicada à introdução à programação para uso em oficinas de Arduino que dispunham de curtos períodos de tempo sem que necessitasse da montagem de um circuito eletrônico simples numa placa de ensaio (*protoboard*). A placa foi desenhada