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Sex Jan 8 15:26:05 BRST 2016

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## 1. A era da informação e a academia contemporânea
Diversas abordagens já foram utilizadas para analisar os impactos da tecnologia da informação na sociedade contemporânea. Desde questões epistemológicas como vistas pela perspectiva da Ecologia Cognitiva, conceito cunhado por Pierre Levy (LÉVY, 1993), até seus impactos na economia, sociedade e cultura como postos por Manuel Castells(CASTELLS, 1999) e Yonchai Benkler(BENKLER, 2006). Essas reflexões contribuem para o esclarecimento da profundidade do impacto das novas tecnologias da informação e comunicação para a humanidade.
Diversas abordagens já foram utilizadas para analisar os impactos da tecnologia da informação na sociedade contemporânea. Desde questões epistemológicas como vistas pela perspectiva da Ecologia Cognitiva, conceito cunhado por Pierre Lévy (LÉVY, 1993), até seus impactos na economia, sociedade e cultura como postos por Manuel Castells(CASTELLS, 1999) e Yonchai Benkler(BENKLER, 2006). Essas reflexões contribuem para o esclarecimento da profundidade do impacto das novas tecnologias da informação e comunicação para a humanidade.
No que se refere à academia, o surgimento de novos referenciais podem ser identificados em dois movimentos complementares, o dos Recursos Educacionais Abertos (SANTANA; ROSSINI; PRETTO, 2013) (REA) e o movimento pela ciência aberta. Sarita Albagli descreve o segundo da seguinte maneira(ALBAGLI, 2015):
> "O movimento pela ciência aberta deve ser pensado no contexto dos movimentos sociais que emergem em meio a mudanças nas condições de produção e circulação da informação, do conhecimento e da cultura, e que vêm desestabilizando arcabouços epistemológicos e institucionais vigentes. Trata-se de refletir sobre os desafios que essas mudanças trazem às dinâmicas científicas, seus valores e práticas, e sobre os novos olhares que se impõem para melhor compreender e lidar com tais desafios."
A universidade, definida como o "local de domínio e cultivo do saber humano" [^LDB], é, naturalmente, uma das instituições mais impactadas com o surgimento de novas dinâmicas de produção e disseminação de conhecimento. Assim, é possível ampliar o contexto do argumento posto por Albagli de além das '''dinâmicas científicas, seus valores e práticas''' para todas as dinâmicas, valores e práticas acadêmicas.
A universidade, definida como o "local de domínio e cultivo do saber humano" [^LDB], é, naturalmente, uma das instituições mais impactadas com o surgimento de novas dinâmicas de produção e disseminação de conhecimento. Assim, é possível ampliar o contexto do argumento posto por Albagli para além das '''dinâmicas científicas, seus valores e práticas''', abrangendo todas as dinâmicas, valores e práticas acadêmicas.
Por mais que a academia se mantenha em posição de destaque pelo monopólio de emissão de diplomas e títulos, a capacidade de atuação profissional dos egressos cada vez mais precisa ser complementada por formação extra-acadêmica, uma vez que a formação tradicional das universidades mantém-se alheia às novas dinâmicas do conhecimento. Se, por um lado, as dinâmicas sociais e econômicas têm respondido aos novos meios de produção e disseminação do conhecimento advindos da tecnologia da informação, por outro, a academia tem se mostrado mais lenta para adaptar-se às inovações nas suas dinâmicas produtivas. Observa-se um '''modus operandi''' no qual as limitações das ferramentas e métodos do passado são artificialmente impostas às novas, sejam pelas políticas vigentes ou pelos vícios da cultura institucional. Isto é, substituem-se ferramentas para realizar as mesmas tarefas: a máquina de escrever por um editor de texto, o quadro negro por um projetor multimídia, ou a sala de aula tradicional por uma sala de aula virtual, igualmente fechada.
A inserção das novas dinâmicas informacionais na universidade não é trival; requer a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias acadêmicas para atualizar a universidade. O Centro de Tecnologia Acadêmica (CTA) do IF/UFRGS foi criado para ser um laboratório de criação e experimentação destas tecnologias e promover a sua disseminação para além da academia, de forma livre e colaborativa. Surge também para integrar os estudantes do curso recentemente criado de Engenharia Física com as atividades de ensino, pesquisa e extensão da universidade [^CTA-boas-Vindas]. Atualmente pode ser considerado um centro interdisciplinar com alunos de diversos cursos.
A inserção das novas dinâmicas informacionais na universidade não é trival; requer a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias acadêmicas para atualizar a universidade. O Centro de Tecnologia Acadêmica (CTA) do IF/UFRGS foi criado para ser um laboratório de criação e experimentação destas tecnologias e promover a sua disseminação para além da academia, de forma livre e colaborativa. Surge também para integrar os estudantes do curso recentemente criado de Engenharia Física com as atividades de ensino, pesquisa e extensão da universidade [^CTA-boas-vindas]. Atualmente pode ser considerado um centro interdisciplinar com alunos de diversos cursos.
### 1.1 Tecnologias acadêmicas
......@@ -47,7 +47,7 @@ Também foi demonstrado que o surgimento de máquinas de fabricação digital de
São diversas as definições e declarações que foram criadas para se referir à liberdade do conhecimento. É adequado afirmar que a raiz filosófica que embasa os atuais movimentos de cultura livre e abertura do conhecimento remonta ao movimento Software Livre e ao projeto GNU[^GNU], iniciado por Richard Stallman na década de 80. Stallman definiu software livre [^SL] em Fevereiro de 1986 e esta definição é mantida atualmente pela Free Software Foundation. Stallman também escreveu a primeira licença de software livre, a General Public Licence [^GPL]. Fica entendido que
> Por “software livre” devemos entender aquele software que respeita a liberdade e senso de comunidade dos usuários. Grosso modo, **os usuários possuem a liberdade de executar, copiar, distribuir, estudar, mudar e melhorar o software**. Assim sendo, “software livre” é uma questão de liberdade, não de preço.
Em 5 de Julho de 1997 a comunidade de desenvolvedores da distribuição GNU/Linux Debian ratificou orientações Debian para Software Livre [^DEBIAN] especificando os critérios para o software livre que é aceito na distribuição. Mais tarde as orientações Debian para software livre foram utilizadas como base para a definição de software de código aberto (open source definition) [^OSD], buscando utilizar linguagem mais amena para maior disseminação do termo em meios mais conservadores. Richard Stallman apontou que o termo software de código aberto deve ser evitado [^OSD_Misses], enquanto Bruce Perens explicou como se deu esta definição em um capítulo do livro "Open Sources: Voices from the Open Source Revolution"(PERENS, 1999).
Em 5 de Julho de 1997 a comunidade de desenvolvedores da distribuição GNU/Linux Debian ratificou orientações Debian para Software Livre [^DEBIAN] especificando os critérios para o software livre que é aceito na distribuição. Mais tarde as orientações Debian para software livre foram utilizadas como base para a definição de software de código aberto (open source definition) [^OSD], buscando utilizar linguagem mais amena para maior disseminação do termo em meios mais conservadores. Richard Stallman apontou que o termo software de código aberto deve ser evitado [^OSD_Misses], enquanto Bruce Perens explicou como se deu esta definição em um capítulo do livro "Open Sources: Voices from the Open Source Revolution" (PERENS, 1999).
Duas definições que sucedem estas são particulamente importantes para o trabalho desenvolvido no Centro de Tecnologia Acadêmica: a definição de obras culturais livres, a qual mantém o maior alinhamento com os princípios de liberdade do conhecimento; e a definição de Hardware Aberto e Livre (HAL). As duas são apresentadas a seguir.
......@@ -104,8 +104,9 @@ Se por um lado diversas vertentes de abertura e liberdade do conhecimento surgir
Outro ponto de destaque com relação aos princípios declarados na definição de hardware aberto refere-se à infraestrutura necessária para a fabricação do instrumento. A infraestrutura ideal para a fabricação de instrumentos livres são máquinas de fabricação digital, também chamadas de máquinas de fabricação personalizadas, e estão em pleno desenvolvimento. O conjunto destas integradas com uma estação de desenho e projetos dos componentes é chamado de **Bancada dos Hiperobjetos**.
[^LDB]: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível em http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf. Acess
[^CTA-boas-vindas]: Boas Vindas do CTA. Diponível em http://cta.if.ufrgs.br/. Acessado em 8 de Janeiro de 2016.
*** Referências: ***
[^GNU]: A história do projeto GNU: https://www.gnu.org/gnu/gnu-history.html
......
......@@ -14,7 +14,7 @@ Já há algum impacto gerado pela existência do CTA Jr. na comunidade do CAp, c
A criação de modelos computacionais em física utilizando a linguagem de programação Python/ Vpython [^modelagem] e o desenvolvimento de um braço mecânico simples (BRAMESIM) [^bramesim] são outros exemplos de projetos inteiramente desenvolvidos no CTA Jr.
O primeiro projeto tem como objetivo favorecer a aquisição de competências e concepções associadas à modelagem computacional de sistemas, processos e fenômenos da natureza por parte dos estudantes do Ensino Médio do CAp. Assim, a estratégia didática da modelagem científica, considerada como uma atividade de exploração, criação e validação de modelos cuja a finalidade é compreender a realidade, permite aos estudantes do CAp vivenciar em primeira pessoa a atividade científica de construção de seus próprios modelos computacionais, criando um ambiente em que é possível estabelecer uma conexão entre o mundo abstrato e o mundo concreto, ajudando-o a dar significado ao que é estudado, por meio da conceitualização, da experimentação e, mais recentemente, da simulação. Para Lévy (1993, p.123) [Lévy, 1993], “o conhecimento por simulação é sem dúvida um dos novos gêneros de saber que a ecologia cognitiva informatizada transporta”. Nesse contexto, o computador torna-se uma ferramenta indispensável no processo de alfabetização científica e na criação de modelos, pois permite a construção, a experimentação e a reflexão sobre o que é criado de modo interativo, colaborativo e dinâmico. Segundo Lévy (1993, p.122), “um modelo digital, não é lido ou interpretado como um texto clássico, ele é geralmente explorado de forma interativa”. Desse modo, os modelos são corrigidos e aperfeiçoados através de constantes simulações.
O primeiro projeto tem como objetivo favorecer a aquisição de competências e concepções associadas à modelagem computacional de sistemas, processos e fenômenos da natureza por parte dos estudantes do Ensino Médio do CAp. Assim, a estratégia didática da modelagem científica, considerada como uma atividade de exploração, criação e validação de modelos cuja a finalidade é compreender a realidade, permite aos estudantes do CAp vivenciar em primeira pessoa a atividade científica de construção de seus próprios modelos computacionais, criando um ambiente em que é possível estabelecer uma conexão entre o mundo abstrato e o mundo concreto, ajudando-o a dar significado ao que é estudado, por meio da conceitualização, da experimentação e, mais recentemente, da simulação. Para Pierre Lévy (LÉVY, 1993), “o conhecimento por simulação é sem dúvida um dos novos gêneros de saber que a ecologia cognitiva informatizada transporta”. Nesse contexto, o computador torna-se uma ferramenta indispensável no processo de alfabetização científica e na criação de modelos, pois permite a construção, a experimentação e a reflexão sobre o que é criado de modo interativo, colaborativo e dinâmico. Segundo Lévy (LÉVY, 1993), “um modelo digital, não é lido ou interpretado como um texto clássico, ele é geralmente explorado de forma interativa”. Desse modo, os modelos são corrigidos e aperfeiçoados através de constantes simulações.
Já o projeto BRAMESIM visa o desenvolvimento de um kit de robótica Open Source para construção e programação de um pequeno braço mecânico com três graus de liberdade para manipulação de objetos em um alcance de pelo menos 30 centímetros. Além do protótipo, espera-se, como produto, a publicação da definição do kit. Com isso, espera-se que a robótica educativa possa se desvincular de marcas através do desenvolvimento de aplicações Open Source (de código aberto), projetos abertos que podem ser estudados e modificados a vontade por projetistas, por entusiastas e hobbistas, ou pelos próprios professores e estudantes que usam a tecnologia. Kits dessa natureza podem ser encomendados de diferentes fornecedores, e se beneficiam de uma rede de desenvolvimento solidário que cria novos projetos e definições compatíveis. Essa pode ser uma resposta aos problemas de disponibilidade e compatibilidade apontados, e tornará mais fácil adquirir e repor componentes. Com capacitações no uso dessas tecnologias abertas, ao contrário do que acontece com as proprietárias, o professor ganha uma formação mais ampla e flexível, que pode se adaptar a sua realidade. O contato com o aspecto técnico também é outro ponto positivo, que pode elucidar os alunos sobre a prática da engenharia, um campo que tem despertado pouco interesse nos alunos brasileiros e sofre com a mão de obra. O projeto BRAMESIM prevê o desenvolvimento de um protótipo de um kit de robótica educativa para montar um braço mecânico para aplicações escolares. Ele se baseará em tecnologias já amadurecidas, no caso a placa de controle Arduino, e envolverá o dimensionamento de estruturas e motores, a construção de mecanismos eletrônicos de ativação e a construção de uma biblioteca de programação. Espera-se que o produto final possua pelo menos três graus de liberdade e um alcance de manipulação de trinta centímetros. Ele também será implementado com o uso de diferentes materiais, tais como madeira, alumínio e vinil impresso.
......
## 5 Empreendedorismo aberto
A disseminação das tecnologias livres no mundo instigou, de forma conjunta e causal - simultaneamente -, a formação de modelos de negócios abertos. Estes modelos se caracterizam basicamente por[^OB]:
A disseminação das tecnologias livres no mundo instigou, de forma conjunta e causal - simultaneamente -, a formação de modelos de negócios abertos. Estes modelos se caracterizam basicamente por [^OB]:
* Participação no empreendimento aberta a todos interessados (internos ou externos à empresa);
* Colaboração ativa na parte de divulgação e compartilhamento de conhecimento dentro do negócio;
* Valorização do envolvido no negócio de forma correspondente com a sua colaboração.
O trabalho conjunto no desenvolvimento de um negócio catalisa a inovação e sua produtividade. Negócios abertos causam maior efetividade na criação e na agregação de valor em uma organização(CHESBROUGH, 2007). Também é visto que uma estrutura colaborativa num ambiente de negócios proporciona maior proveito dos investimentos tanto em tempo quanto em dinheiro. Abrir setores de desenvolvimento de produtos para cooperação facilita a ramificação e o espalhamento de ideias permitindo que, por exemplo, patentes que não tiveram utilidade para a empresa que a criou sirvam e gerem valor sob uso de colaboradores externos.
O trabalho conjunto no desenvolvimento de um negócio catalisa a inovação e sua produtividade. Negócios abertos causam maior efetividade na criação e na agregação de valor em uma organização (CHESBROUGH, 2007). Também é visto que uma estrutura colaborativa num ambiente de negócios proporciona maior proveito dos investimentos tanto em tempo quanto em dinheiro. Abrir setores de desenvolvimento de produtos para cooperação facilita a ramificação e o espalhamento de ideias permitindo que, por exemplo, patentes que não tiveram utilidade para a empresa que a criou sirvam e gerem valor sob uso de colaboradores externos.
Fatores como o alto custo do desenvolvimento tecnológico e o aspecto volátil da sobrevivência de novos produtos no mercado incentivam a abertura de empreendimentos. Isso ocorre em função de que nesse processo o fardo desses fatores é sustentado pelos diversos colaboradores do negócio(CHESBROUGH, 2007). Isso significa que o empreendedorismo aberto também simplifica todo o processo de inovação. Além disso, firmas tendem a sofrer uma diminuição na sua habilidade de se relacionar externamente com outras organizações e também reduzem sua base de conhecimentos a longo prazo quando não cooperam nem trocam informações. Dessa forma, pode-se dizer que o crescimento de um empreendimento pode ser acentuado através de processos abertos de desenvolvimento (KOSCHATZKY, 2001).
Fatores como o alto custo do desenvolvimento tecnológico e o aspecto volátil da sobrevivência de novos produtos no mercado incentivam a abertura de empreendimentos (CHESBROUGH, 2007). Isso ocorre em função de que nesse processo o fardo desses fatores é sustentado pelos diversos colaboradores do negócio. Isso significa que o empreendedorismo aberto também simplifica todo o processo de inovação. Além disso, firmas tendem a sofrer uma diminuição na sua habilidade de se relacionar externamente com outras organizações e também reduzem sua base de conhecimentos a longo prazo quando não cooperam nem trocam informações. Dessa forma, pode-se dizer que o crescimento de um empreendimento pode ser acentuado através de processos abertos de desenvolvimento (KOSCHATZKY, 2001).
O sucesso dos modelos de negócio abertos vem sendo notado em organizações de diversos portes no mundo. Empresas relativamente recentes, tais como Adafruit e SparkFun, têm mantido uma plena expansão por meio de negócios colaborativos utilizando hardware aberto. Também há empresas transnacionais que têm aberto de forma gradativa seus projetos, tais como P&G e IBM, e obtido resultados positivos, apesar da mudança brusca do status quo. No Brasil, o avanço ainda é mais tímido, porém algumas iniciativas similares às já citadas obtêm êxito considerável em suas práticas. Um exemplo a ser destacado (de iniciativas em empreendedorismo aberto) é a da Incubadora Virtual da Universidade de São Paulo, que inspira-se nos projetos Wikipedia e SourceForge, que cria um espaço para inovação de forma colaborativa na parte de conteúdos virtuais(SIMON, 2004). Ela busca abrangir tanto as esferas sociais quanto tecnológicas e acadêmicas.
O sucesso dos modelos de negócio abertos vem sendo notado em organizações de diversos portes no mundo. Empresas relativamente recentes, tais como Adafruit e SparkFun, têm mantido uma plena expansão por meio de negócios colaborativos utilizando hardware aberto. Também há empresas transnacionais que têm aberto de forma gradativa seus projetos, tais como P&G e IBM, e obtido resultados positivos, apesar da mudança brusca do status quo. No Brasil, o avanço ainda é mais tímido, porém algumas iniciativas similares às já citadas obtêm êxito considerável em suas práticas. Um exemplo a ser destacado (de iniciativas em empreendedorismo aberto) é a da Incubadora Virtual da Universidade de São Paulo, que inspira-se nos projetos Wikipedia e SourceForge, que cria um espaço para inovação de forma colaborativa na parte de conteúdos virtuais (SIMON, 2004). Ela busca abrangir tanto as esferas sociais quanto tecnológicas e acadêmicas.
Um desafio a ser superado reside em desconstruir a ideia de que a abertura de um empreendimento o faz perder o propósito de lucrar. Não há correlação direta entre estes fatores, tendo em vista os casos de prosperidade mencionados anteriormente, o que remete também à distinção de abertura e liberdade para gratuidade. A verdadeira mudança se apresenta na forma de organização do desenvolvimento do produto e não na sua rentabilidade. Também é preciso reformular o uso de licenças no desenvolvimento de produtos, utilizando licensas permissivas, de forma a não fechar o produto, incentivando que quem busque o produto com interesses de utilizá-lo para comercialização de alguma forma mantenha-o aberto e colabore para sua melhoria e diversificação.
Um desafio a ser superado reside em desconstruir a ideia de que a abertura de um empreendimento o faz perder o propósito de lucrar. Não há correlação direta entre estes fatores, tendo em vista os casos de prosperidade mencionados anteriormente, o que remete também à distinção de abertura e liberdade para gratuidade. A verdadeira mudança se apresenta na forma de organização do desenvolvimento do produto e não na sua rentabilidade. Também é preciso reformular o uso de licenças no desenvolvimento de produtos, utilizando licenças permissivas, de forma a não fechar o produto, incentivando que quem busque o produto com interesses de utilizá-lo para comercialização de alguma forma mantenha-o aberto e colabore para sua melhoria e diversificação.
O Centro de Tecnologia Acadêmica disponibiliza suas tecnologias e ferramentas para o empreendedorismo aberto, procurando recentemente aprofundar o conhecimento do desenvolvimento de economias colaborativas e sua inserção em suas redondezas. Nesse âmbito, ele também empreende no ramo da ciência aberta em seus projetos, abrindo caminho para qualquer um que procure colaborar. Assim, o Centro atende a mais um propósito da cultura livre, que é de gerar desenvolvimento local através do conhecimento aberto e das tecnologias livres.
......
......@@ -4,10 +4,9 @@ A integração dos princípios apresentados na seção anterior às atividades d
### 2.1 Documentação de projetos
A documentação tem um papel fundamental tanto no desenvolvimento quanto na reprodução de hardware desenvolvido em acordo com os princípios do hardware aberto e livre (HAL). Isto ocorre porque nestes projetos é sobre a documentação que incidem as diferentes licenças permissivas existente para o HAL, ou seja, a existência da documentação é o que torna o projeto um HAL.
A documentação tem um papel fundamental tanto no desenvolvimento quanto na reprodução de hardware desenvolvido em acordo com os princípios do hardware aberto e livre (HAL). Isto ocorre porque nestes projetos é sobre a documentação que incidem as diferentes licenças permissivas existente para o HAL, ou seja, a existência da documentação é o que torna o projeto um HAL.
Sob os aspectos de conteúdo, a documentação de um HAL não deve ser vista apenas como um manual de utilização mas sim como o projeto em si. Nela devem constar todos os detalhes do projeto incluindo informações sobre todas as partes e peças, tanto as usadas quanto as desenvolvidas, com especial atenção para os arquivos fonte destas últimas. Deve ser tomado o cuidado na correta atribuição dos respectivos autores e licenças de uso
>: como especificado nas definições [REF que parece as do debian mas pra HAL]. Além da disponibilização dos arquivos fontes, a documentação deve ser clara quanto aos procedimetos envolvidos na construção, utilização, reprodução e derivação dos projetos.
Sob os aspectos de conteúdo, a documentação de um HAL não deve ser vista apenas como um manual de utilização mas sim como o projeto em si. Nela devem constar todos os detalhes do projeto incluindo informações sobre todas as partes e peças, tanto as usadas quanto as desenvolvidas, com especial atenção para os arquivos fonte destas últimas. Deve ser tomado o cuidado na devida atribuição aos respectivos autores e licenças de uso, como especificado nas definições apresentadas anteriormente. Além da disponibilização dos arquivos fontes, a documentação deve ser clara quanto aos procedimetos envolvidos na construção, utilização, reprodução e derivação dos projetos.
Durante a elaboração da documentação é importante a utilização de formatos e ferramentas que sejam universais pois isto permite que estas sejam utilizadas em diferentes plataformas. Os projetos do CTA são todos desenvolvidos em software livre visando, com isto, a sua disseminação de uma forma ampla e sem restrições.
......@@ -50,7 +49,7 @@ O CTA realiza oficinas de introdução às ferramentas livres utilizadas para o
### 2.3 Infraestrutura para o desenvolvimento de HAL: a Bancada dos hiperobjetos:
Para que a diseminação do HAL e de sua cultura que prima pela liberdade do conhecimento seja efetiva, os dos meios necessários para a sua (re)produção, uma documentação de qualidade e facilmente disponível deve ser aliada aos equipamentos da bancada. Estes são os elementos presentes na declaração dos princípios de HAL. Reconhecendo a necessidade de ampliar a infraestrutura aberta para a convecção de HAL, o Centro de Tecnologia Acadêmica se propõs à desenvolver a Bancada dos Hiperobjetos.
Para que a diseminação do HAL e de sua cultura que prima pela liberdade do conhecimento seja efetiva, os dos meios necessários para a sua (re)produção, uma documentação de qualidade e facilmente disponível deve ser aliada aos equipamentos da bancada. Estes são os elementos presentes na declaração dos princípios de HAL. Reconhecendo a necessidade de ampliar a infraestrutura aberta para a convecção de HAL, o Centro de Tecnologia Acadêmica se propõs à desenvolver a Bancada dos Hiperobjetos (PEZZI, 2015).
Esta bancada é composta por i) um conjunto de máquinas de fabricação digital e tem por objetivo a materialização dos hiperobjetos, incluindo as próprias máquinas constituintes da bancada e ii) as ferramentas digitais para desenho e simulação dos componentes de hardware. Esta ideia é fundamental pois permite que as máquinas da bancada sejam autoreplicantes, assim como o que ocorreu com a impressora 3D Reprap (JONES et al., 2011). Esta liberdade não só permite uma redução do custo de "produção" de equipamentos científicos como, também, estimula a inovação e a colaboração no desenvolvimento de HAL.
......@@ -58,6 +57,7 @@ Uma bancada de hiperobjetos sendo desenvolvida como um hiperobjeto é o caminho
Recentemente, o projeto KiCad [^KiCAD] fez um grande avanço nas possibilidades relacionadas ao desenvolvimento de circuitos eletrônicos ao disponibilizar um um software livre de alto nível e desempenho comparável às alternativas proprietárias. Com isto, projetos de circuitos eletrônicos, efetivamente viabilizando a comunicação livre de, e entre, projetos de circuitos eletrônicos. Ansiamos por outros programas CAD livres capazes atuar em outras áreas de engenharia como desenhos mecânicos.
Na próxima seção descrevemos a primeira máquina elaborada no Centro de Tecnologia Acadêmica para integrar a bancada, a Fresadora PCI João-de-Barro.
[^SiteCTA]: Centro de Tecnologia Acadêmica. Disponível em http://cta.if.ufrgs.br/. Acessado em 08 de Janeiro de 2016.
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......@@ -2,10 +2,9 @@
Acreditando que a cultura de ampla colaboração e de continuidade do conhecimento faz-se necessária para suprir as necessidades atuais da humanidade sem prejudicar as gerações futuras, o Centro de Tecnologia Acadêmica do Instituto de Física da UFRGS (CTA IF/UFRGS) foi criado para adotar os princípios da cultura livre em suas atividades. Isto é feito com a utilização e o desenvolvimento de conhecimento e tecnologias livres e abertas. São tecnologias livres e abertas aquelas cujos usuários têm as liberdades de uso, estudo, modificação e distribuição, que garantem autonomia no aprendizado, no uso, desenvolvimento e disseminação dessas tecnologias. Este artigo justifica a escolha das tecnologias livres e abertas e das práticas relacionadas, apresentando como as possibilidades de criação, uso e disseminação do conhecimento geradas pela tecnologia digital, que embasam a cultura digital, estão sendo utilizadas e aprimoradas no CTA IF/UFRGS.
Iniciamos com uma breve reflexão sobre os impactos das tecnologias digitais na circulação da informação, do conhecimento e da cultura e apontamos os benefícios dos conceitos de liberdade e abertura do conhecimento aplicados à ciência, tecnologia e educação. Em seguida apresentamos hardware aberto e livre (HAL) como o passo eminente na evolução do desenvolvimento colaborativo de tecnologias. Fazendo uma análise dos conceitos, apontamos para a infraestrutura e metodologias que consideramos necessárias para viabilizar o desenvolvimento colaborativo de instrumentos científicos e educacionais abertos em escala até então vista apenas em projetos de bens imateriais como a Wikipédia e o sistema operacional GNU/Linux.
Iniciamos com uma breve reflexão sobre os impactos das tecnologias digitais na circulação da informação, do conhecimento e da cultura e apontamos os benefícios dos conceitos de liberdade e abertura do conhecimento aplicados à ciência, tecnologia e educação. Em seguida apresentamos o hardware aberto e livre (HAL) como o passo eminente na evolução do desenvolvimento colaborativo de tecnologias. Fazendo uma análise dos conceitos, apontamos para a infraestrutura e metodologias que consideramos necessárias para viabilizar o desenvolvimento colaborativo de instrumentos científicos e educacionais abertos em escala até então vista apenas em projetos de bens imateriais como a Wikipédia e o sistema operacional GNU/Linux.
Descrevemos como estes conceitos são integrados como princípios no Centro de Tecnologia Acadêmica visando a atualização da academia nos modos de produção, gestão e disseminação do conhecimento. Por fim, apresentamos alguns exemplos de instrumentos abertos desenvolvidos no CTA, juntamente com reflexões sobre o papel que os princípios adotados pelo Centro têm para a formação dos alunos e o impacto que seus projetos podem ter na sociedade pela integração natural com a pesquisa e extensão universitárias.
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